tardona de domingo dia 1. uma mulher segurando um papai Noel de pelúcia numa rua fervilhante do bairro de margem. o asfalto aspirava seu espírito com calma, o asfalto aceso de pedaço de sol. supernovas abençoam a matéria do papai Noel pura pelúcia. a mulher escorre por todas as dobras, todas pelancas cansadas, crava-se outro império nos pés de erva cidreira. terrenos baldios exalam coco seco e os vestígios de coito compactados na suadeira, o papai Noel encharcado e fedidão se desmancha porque brazil não é lugar desse lazarento. escorre no bueiro. a mulher tenta ir atrás pegar de volta, mas não tem suor suficiente pra escorrer também. séca, séca, o asfalto ri. um meninote sujo até pára de brincar de hominho na calçada, acha graça. a mulher séca e séca até cair e estalar no asfalto a ossada. a mulecada já cola junto e usa os fêmors pra fazer golzinho.