Sua rotina diz tudo sobre você

Esse texto é apenas a transcrição de um pensamento que venho construindo recentemente, sobre como nossa rotina pode dizer tanto sobre nós. Após dois dias de uso, meu Android já começava a dizer informações relevantes sobre a minha rotina no mostrador do meu Smartwatch. Por exemplo, por volta das 18h, ele mostrou no meu relógio quanto tempo eu levaria para chegar em casa, e que uma rua do meu trajeto estava com trânsito intenso.

Mesmo estando no meio tecnológico há muito tempo e sabendo como estas coisas funcionam, me espantei. Ele me deu uma informação relevante para o meu dia, sem que ao menos eu pedisse. Além de que me leva a refletir que ele sabe a hora que eu saio do trabalho e onde eu moro.

Isso é fantástico. E pode ser útil de várias maneiras, por exemplo, digamos que o algoritmo identifique que a cada 15 dias você vai a um determinado posto de gasolina (por meio da sua localização). Então ele pode te avisar previamente quando sua gasolina está acabando, pois sem perceber você forneceu as seguintes informações: A estimativa de quanto seu carro consome de gasolina por km, quanto de gasolina você costuma colocar (com base na distância que você percorre até reabastecer) e, claro, o posto de gasolina de sua preferência. E essa informação pode ser vendida facilmente para o estabelecimento. Agora imagine o que o posto pode fazer com esta informação, o mínimo é te oferecer um desconto ou um programa de fidelidade .

Este tipo de análise de rotina já existe a muito tempo na internet. Vai dizer que o Google nunca completou algo que você estava digitando, por algo que você iria digitar? Isso acontece porque ele toma decisões com base naquilo que você costuma pesquisar, ou seja, sua rotina. Por exemplo, como sou programador, se eu pesquisar apenas por “linguagem”, os principais resultados, bem como sugestões de pesquisa, serão sobre linguagens de programação. Mas, se um professor de português realizar a mesma pesquisa, certamente os resultados serão diferentes, como: vícios de linguagem, linguagem contemporânea, linguagem coloquial e etc. Também podemos observar este tipo de comportamento enquanto navegamos, através de anúncios baseados na nossa rotina. Normalmente é algo que queremos comprar ou fazer, como uma viagem.

Mas o que é realmente interessante é ver esse método (digo método porque é algo que já existia aplicado de uma forma diferente) ser usado no nosso dia a dia através da internet das coisas. Diariamente interagimos com equipamentos conectados ou não, que geram informações a nosso respeito e criam conteúdo sobre demanda para nós. E isso é bom, a tecnologia está cumprindo o seu propósito, sendo usada pela humanidade, em favor da humanidade.

Sei que isso é notícia velha, mas a pergunta que quero deixar é: Se hoje as máquinas conseguem prever coisas com base em nossa rotina, em quanto tempo elas começarão a prever com base nas nossas necessidades? Exemplo: Mateus, que tal parar de escrever e ir estudar para a prova de quinta-feira?

Abraços.