“Eu tô em casa”

Mano Brown é show, a Zona Sul - sua casa - nem se fala…

Mano Brown em ação cantando Boogie Naipe — e sorrindo para nossa câmera (Lucas Zumba/Capão News)

É impossível falar de Mano Brown e não falar do Racionais MC’s ou de Rap. Pedro Paulo Soares Pereira, 47 anos, é uma lenda viva do rap nacional, mas toda essa história vocês já conhecem. Falemos agora desta nova fase do rapper que inspirou diversos jovens da periferia brasileira, inclusive eu.

No último domingo (09), estive presente na Praça do Campo Limpo, Zona Sul de São Paulo para fazer a cobertura do Festival Percurso, organizado pela Agência Solano Trindade, como repórter da Capão News e presenciar outro show que entrará para história desse gênio da música brasileira.

Durante todo o dia, a praça foi movimentada por centenas de pessoas da quebrada que puderam fomentar a economia local comprando roupas de grifes da periferia, comer nas barracas instaladas, apreciar exposições, batalhas de rap ou praticar esportes. Além das atrações no palco; do simpático Dj Kula, cria do Campo Limpo à talentosa banda Sandália de Prata, que tem como vocalista Ully Costa, também da quebrada.

Houve diversas atrações durante o dia no Festival Percurso 2017 (Lucas Zumba/Capão News)

Porém faltava a atração principal da noite e a praça às 21h já estava tomada de gente de todas as idades esperando por ele, Mano Brown.

Desta vez, o público acostumado a ouvir o nome de Brown e relacionar com o Racionais MC’s, ouviria, de forma inédita gratuitamente na ZS, o novo álbum solo do rapper, lançado no fim de 2016. Boogie Naipe traz o ritmo do soul e do funk; uma verdadeira nostalgia aos amantes do baile black dos anos 70 e uma recordação do estilo Marvin Gaye. Para mim, com 20 anos, um novidade de muita qualidade.

Quem não canta, dança

Era totalmente compreensível não ver a maioria do público cantando no ritmo dos artistas no palco. Primeiro pelo fato de ser um trabalho ainda recente; segundo pela letra das músicas, hora rápida, hora mais lenta; terceiro pelo tom que muitas músicas exigiam, coisas que somente a banda e o parceiro de Brown no palco, Lino Krizz conseguiam; porém não faltou esforço da platéia e quem não sabia cantar era envolvido pelo som e começava a dançar naturalmente.

Boogie Naipe é baile black, é dança, é ser feliz! E foi assim que Mano Brown entrou no palco por volta das 22h30, dizendo estar feliz. Brown recordou a infância, fez da praça do Campo Limpo o quintal de casa, contou histórias, bebeu o bom e velho whisky, fumou cigarro, reencontrou amigos, convidou a platéia para dançar no palco e deu um show. A Zona Sul, de praxe, retribuiu.

A banda de Brown é composta por mais de 10 músicos, 2 backing vocals, o Dj Dri e o fantástico Lino Krizz, que participa de diversas canções do álbum. Como se fosse pouco, o palco ainda teve a presença de Seu Jorge que participa das faixas Louis Lane e Dance, Dance, Dance. Mas, para a sorte de todos, Seu Jorge fez mais que só participar de duas canções. Ficou até o fim do show. Ele estava certo, não tinha motivos para sair dali, a magia no lugar era incrível. No fim, Brown ainda disse a ele que ali era como Madureira (RJ), Seu Jorge concordou.

Seu Jorge e Mano Brown juntos: certeza de boas histórias, fumaça e música de qualidade (Lucas Zumba/Capão News)

O horário já invadia a segunda-feira, sem dúvidas a grande maioria acordaria cedo para trabalhar, Brown não descia do palco nem o povo ia embora, mas era hora de encerrar. Nós da CN, tínhamos uma entrevista exclusiva com ele. Um pouco antes do fim já estávamos no camarim à sua espera. Ele chegou eletrizado ainda, acendeu mais um cigarro, tomou conta do som que tocava no camarim e começou a dar atenção — tanto para imprensa, quanto para amigos e fãs — fomos o último meio de comunicação a entrar para conversar com ele, nossa ideia era uma entrevista que seria transmitida ao vivo pela nossa página do Facebook e a gravação em uma câmera. Não saiu como imaginamos, mas tudo bem, teremos outras chances.

Apesar do som alto, a luz colorida e diversas pessoas chegando para conversar com ele, o ao vivo foi feito e pode ser visto lá na Capão News. A conversa pode ser difícil de ser escutada, mas os bastidores de como é o Mano Brown sentindo-se em casa, feliz, sorridente e completamente receptivo após uma apresentação memorável no lugar onde cresceu e se criou valeu totalmente qualquer cansaço ou fome (normal na vida de repórter) que passamos.

Agradeço primeiramente a Deus por saúde e pessoas incríveis que ele coloca em minha vida. Agradeço também a Capão News e em especial a Gisele Alexandre por acreditar e me querer sempre por perto nesse projeto maravilhoso. Agradeço ao Festival Percurso e a Agência Solano Trindade pelo evento magnifico proporcionado para nossa quebrada. Agradeço a essa profissão chamada jornalismo que estou só no começo do começo da minha jornada, porém mais do que certo do que escolhi para vida. E ao hip hop, Racionais, Mano Brown e tantos outros por salvarem tantas vidas através do ritmo e da poesia. Até o próximo!

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