O Cérebro Exausto: Quantas horas devo estudar por dia?

Hackers do Estudo
Sep 6, 2018 · 7 min read

Dentre o volume de perguntas, o tema mais citado do curso Hiper-Foco & Hiper-Produtividade foi a parte na qual comento a existência de um limite na nossa capacidade de estudo diário.

No curso, cito esse limite: oito blocos de 50 minutos (se não houverem aulas expositivas no dia) e 6 blocos de 50 minutos (se houverem aulas expositivas no dia).

Essa afirmação mexeu com muita gente. Em específico com aqueles que estavam organizando seu cronograma com mais de 10h de estudos diários. Também, mexeu com o pessoal que tinha uma crença consolidada de que para passar em concursos públicos/vestibulares seria preciso atolar o dia com leituras, revisões e aulas. Aquela ideia de penitência de que para alcançar sucesso nos estudos é preciso sofrer.

Não os culpo por essas crenças, afinal de contas, ainda é propagada por aí a história do aprovado que “vira” noites estudando. E também, a história do estudante que passa pela jornada do herói, abdica do lazer, família e amigos em prol de um objetivo “maior”.

Enfim, esse artigo serve para trazer luz sobre o tema de quantas horas é adequado para estudar e, também, trazer argumentos fortes para convencer você de que estudar 10 horas por dia além de não ajudar atrapalha.

Acredito que essa seja uma leitura que poderá gerar grande transformação na sua rotina. Eu diria que até que pode gerar uma grande transformação na sua vida como um todo. Explico-lhe os motivos pelos quais esse texto pode ser um divisor de águas.

Muitos estudantes são engolidos pela sensação de sempre estarem atrasados nos estudos. Ou melhor, pela constante culpa de que quando estão se divertindo, ou tendo momentos de lazer, deveriam estar estudando. Não há maneira melhor de descrever essa triste realidade do que a palavra “angustiante”.

É uma auto-tortura psicológica. Começa com uma leve sensação de peso nas costas, mas com o tempo, evolui para uma espécie de caroço na garganta. Depois, vê-se a autoestima indo para o ralo e o estudante já nem sabe mais o que está fazendo no meio dos livros, exercícios e folhas. O cérebro está chegando à exaustão.

Não à toa, aos montes os estudantes acabam caindo em períodos de ansiedade severa, insônia, mal-estar geral e até depressão. O corpo cobra. A reação é em cascata: aumento de estresse, acúmulo de gordura, problemas intestinas, cabelos quebradiços, olheiras, palidez, isolamento.

O corpo dá sinais claros de que algo está errado. E pior, é um ciclo vicioso. Entenda:

Como a mente do estudante está tão vidrada na ideia de que a resolução dos males que lhe afligem virá com a aprovação no concurso/vestibular ele acaba se voltando ainda mais para intensificação (e “extensificação”) da rotina de estudos. Mais ainda o estudante fortalece o pensamento disfuncional que está originando a flagelação do seu bem-estar físico e emocional, sem contar nos próprios prejuízos aos estudos.

E é por isso que muita gente desliza nessa casca de banana. Derrapa na falsa ideia de que estudar 10 horas por dia é algo produtivo. Como diria Antônio Fagundes, “É uma cilada, Bino!”

A crença de que estudar 10 horas diárias irá lhe ajudar é da mesma natureza da crença de que malhar 10 horas diárias auxiliará no crescimento dos seus músculos.

Nesse ponto, vale à pena trazermos um paralelo do funcionamento do nosso cérebro com nossos músculos. E bem, não sou somente eu quem faz esse paralelo. Norman Doidge, psiquiatra e autor do livro “O Cérebro que se Transforma”, também traz analogias que colocam o cérebro em perspectiva com nossa musculatura.

Existe um limite de exercícios que você pode fazer diariamente caso queira obter bons resultados malhando. Os seus resultados na academia estão intimamente ligados a qualidade do seu descanso. Ou seja, existe o momento no qual você fará musculação, mas também, o momento de descanso. Caso você falhe um dia na academia não adianta querer compensar e se exercitar o dobro no dia seguinte. O descanso é parte integrante do treino e você não poderá descansar o dobro.

Acompanhe-me que nós vamos fazer um bom fechamento para essa analogia.

Se você quiser malhar mais do que o seu corpo aguenta acontecerá um efeito reverso. Ou seja, ele passará a queimar a própria musculatura ao invés dos carboidratos. Como consequência, você terá perda de massa magra e até acúmulo de gordura.

Disso, extrai-se que treinar mais, além de não ajudar, atrapalha. E isso é fácil de notar porque estamos tratando de algo com efeito quase imediato e visível. Mesmo assim, não é incomum vermos atletas que entram no overtraining (perda de músculos pelo excesso de treino).

E quando exigimos demais do nosso cérebro, será que ocorrem consequências similares ao se exercitar demais, será que ocorre também o efeito reverso? No estudo, mais é mais, ou mais é menos?

É consenso científico que o descanso e o sono são parte fundamental no processo de consolidação das memórias. Num artigo de Julho de 2017, no The Journal of Neurescience, foi demonstrado que é enquanto descansamos/dormimos que fortalecemos nossas conexões neurais para formar memórias de longa duração. Ou seja, o descanso é parte integrante do próprio estudo.

Gunther Bayer, em seu livro “Memória, Concentração e Criatividade”, nomeia dois fenômenos que ocorrem quando estudamos exageradamente em um único dia: a inibição do aprendizado retroativa e a inibição do aprendizado proativa. Em outras palavras, as inibições de aprendizado estão para o estudo como a atrofia está para a prática de musculação.

Basicamente, se estudamos em exagero nosso cérebro entenderá que o estudo é redundante e, de modo subconsciente, parte do aprendizado será simplesmente descartado.

No curso Hiper-Foco e Hiper-Produtividade, na parte em que vimos a utilidade dos blocos, explico a importância de utilizar os pontos de contraste e a IEE (Inetrcalação do Estudo Estratégica). Isso, justamente para reduzir a quase zero as perdas pelas inibições do aprendizado. No longo prazo essa estratégia simples gera um “caminhão” de vantagem frente os competidores.

As inibições do aprendizado, como o próprio Gunther fala, são um processo involuntário. Esse é um dos motivos pelos quais alguns estudantes passam o dia todo estudando e após dois dias do estudo tem dificuldades para fazer qualquer evocação. Involuntariamente, o aprendizado foi descartado. As sinapses não foram formadas. Todo aquele tempo de estudo, infelizmente, esteve mais a serviço do seu desgaste do que para o aprendizado.

Veja que aqui temos exatamente o mesmo fenômeno que ocorre com nossos músculos. Se exagerarmos no estudo diário estaremos “desestudando” o que aprendemos. Estaremos queimando os nossos próprios músculos.

No curto prazo até pode parecer que existe algum benefício em virar noites estudando. De fato, durante um curto período de tempo, em alguns casos, você terá acesso a uma maior quantidade de informações. Mas tão logo quanto você obtém essas informações elas serão involuntariamente descartadas. E não existe nenhum cenário de concurso/vestibular que isso seja uma alternativa válida. Nem mesmo qualquer cenário que você queira obter um aprendizado estruturado e aplicável para sua vida/trabalho.

Estudar para ser especialista em algo ou para passar em uma prova concorrida nem de longe tem relação com o estudo de colégio, no qual virar noites estudando é uma alternativa viável.

Lembre-se do efeito da academia, assim como o crescimento dos seus músculos é consolidado com o descanso, suas memórias também precisam de descanso para se consolidar. Além do mais, assim como quando se exercita demasiadamente e queima a própria musculatura, quando se estuda exageradamente queima o próprio aprendizado.

Com isso, retorno para o ponto inicial do nosso texto. Não existe atalho quando estamos lidando com os estudos. Nada adianta você criar a falsa expectativa de que vai estudar 10h por dia e vencerá todo conteúdo em um único mês.

Essa crença da jornada do herói nos estudos é bastante perigosa, como dito anteriormente: custa sua saúde, estética e bem-estar.

Existe um limite. E esse limite são os 8 blocos de estudo diários. E 8 blocos já é um número para estudantes experientes, que já possuem certo condicionamento.

Como falei no curso Hiper-Foco & Hiper-Produtividade, o recomendável para quem está iniciando a rotina de estudos é centrar em 2 blocos de estudo diários, além das aulas expositivas. O importante é caminhar um pouquinho todo dia, avançar um passo por vez.

Não há como correr mais do que as pernas.

Entendo a ansiedade de querer se entregar de corpo e alma para seu sonho, também sou um cara que gosta de dar o máximo, mas no caso dos estudos, dar o máximo é saber a hora de parar.

E aí que chegamos em uma conclusão que pode ser libertadora para alguns, assim como foi libertadora para mim:

Não há porque viver com culpa de que você deveria estar estudando, simplesmente porque você não deveria estar estudando.

Paradoxalmente, não estar estudando é parte integrante do estudo, assim como não estar se exercitando é parte integrante do treino na academia.

Nesse momento, você pode relaxar. Programa-se para assistir aquele filme, ligue para sair com os amigos, você pode jogar aquele futebol. Quem sabe, até pode compartilhar essa mensagem com um amigo para conscientizá-lo.

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