Ubirajara Volpi, o síndico do Edifício Santa Cruz

Por Eduardo Dorneles e Matheus Leandro

Síndico há 26 anos, Ubirajara conta quais foram os principais desafios durante o seu tempo de mandato

S e a dificuldade em ser síndico de um edifício simples já é grande devido a inúmeros fatores, imagine para quem tem o maior prédio de Porto Alegre em suas costas. Somente no dia anterior ao da entrevista, mais de 5 mil pessoas circularam entre os 31 andares do Edifício Santa Cruz.

Ubirajara Volpi era funcionário do Banco Agrícola Mercantil em 1962, quando foi transferido para a Agência Conceição, a matriz da organização, e integrou a equipe da construção do Edifício Santa Cruz. Aposentou-se em 1984 e sete anos mais tarde recebeu o convite para ser síndico do prédio por dois anos. Mas, devido ao reconhecimento de sua boa gestão, ficou por 26 anos nesse cargo.

O síndico passou por grandes desafios principalmente ligados a reparação na infraestrutura desse prédio antigo. Por ter sido construído em 1965, muitas partes e elementos da arquitetura foram ultrapassados por novas tecnologias. O piso dos corredores necessitou ser trocado, transformadores tiveram que ser substituídos, a fachada teve que ser restaurada.

“Passamos recentemente por um problema grande na parte hidráulica desde o segundo andar subsolo até o 24º , causado tanto pelo desgaste natural quanto pelo uso de materiais antiquados. Na época da construção se usava canos de ferro fundido no esgoto. Hoje é tudo plástico, canos de PVC. O material teve a sua vida útil, mas tivemos que substituir e a reforma durou mais de três meses.

Segundo Volpi, o edifício atualmente conta com 37 funcionários, 342 economias e um fluxo diário de aproximadamente 5 mil pessoas (entre moradores, comerciantes e clientes). O número de pessoas que circulam pelos 31 corredores do Edifício Santa Cruz já foi maior. Em 2010, quando agências de emprego e da Caixa Econômica Federal ainda estavam presentes no prédio, o fluxo era de aproximadamente 11 mil pessoas/dia.

Quando lhe foi perguntado sobre os piores momentos como síndico do edifício, Volpi lembrou de episódios trágicos de moradores e trabalhadores do local. Em setembro de 2013, uma senhora foi encontrada morta a facadas juntamente com o corpo do seu filho. Segundo a Polícia, o homem matou a própria mãe e depois se suicidou. Outros moradores também cometeram suicídios e não tiveram tanto destaque nas mídias.

“São casos muito tristes que infelizmente tive que lidar. Ao contrário de simplesmente ver pela televisão como vemos todos os dias, ter contato com tragédias assim abalam qualquer um. A gente não entende como uma vida é tirada daquela maneira, mas temos que seguir adiante”, lamenta Volpi.

Após tanto tempo atuando como síndico do Edifício Santa Cruz, Volpi só pensa na chegada da assembleia em Novembro para renunciar. A ideia é se mudar para Canela, na serra gaúcha, e aproveitar a aposentadoria.

“Valeu a pena, conheci e fiz amizade com muita gente, o que é uma enorme satisfação. Houve desamores, não vou negar, mas de modo geral construí uma relação de família com todo mundo. É um ciclo que se encerra para outro começar”, conclui o síndico.
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