Lendo, eu tô. Mas lendo mesmo, eu não tô, não

Dia desses comecei, à noite, um ebook daquela série “Primeiros Passos” sobre pós-modernismo. À noite, porque à tarde eu tava era dando conta do livro da seleção do mestrado, logo depois do almoço, que foi logo depois de eu ter estudado a apostila de Português do cursinho. Minha agenda, toda trabalhada no To do List, tá aí pra provar.

Prova, inclusive, é um negócio que me dá dor no estômago (mas talvez seja do café). Tem a do dia dezessete, do dia cinco e tem aquela que o dia eu não sei, mas vai ser, por ali, em outubro.

Na dúvida, me agarro às orações subordinadas, aos incisos primeiros e aos “de acordo com Sicrano”. Tão agarrado, eu fico, que já não tenho mais paciência para um romance de Camus ou para um poema de Leminski. Só de pensar em gastar meu tempo livre com mais livro, já me dá uma gastura.

O mal-estar é tanto que toda vez que passo em frente à estante e me lembro do livro do Hemingway há três meses na lista de leitura, faço uma careta. Isso é preocupante, sempre tratei meus livros com carinho.

Por muito tempo, guardei a frase de uma colega que dizia “gente de humanas só se lasca, trabalha lendo livro e relaxa lendo livro”. Pra mim, porém, não era questão de lascamento, era algo que eu conseguia administrar muito bem.

Considerei, então, a situação como um problema de saúde mental: achei melhor deixar de lado aqueles livros comprados na última promoção da Amazon. Mesmo que eu ainda ficasse MUITO desconfortável com minha lista de leitura parada, eu tive a consciência que não daria conta de tudo.

Hoje, além da careta a Hemingway, tô passando umas horinhas do dia assistindo Game of Thrones (gente, e aquele dragão, ein?) e lavando louça ouvindo Pabllo Victtar (VAI PASSAR MAL…). E tá tudo ótimo, na medida do possível.