Há certo tempo uma inquietude provoca em mim essa vontade cruel de tomar um certo tempo ocioso e transforma-lo em algo que possa ser lido, ou não por alguém; Inicialmente pretendo que ninguém tenha acesso aos meus escritos, quiçá um dia, sejam eles expostos, e quando esse dia chegar (se chegar), foi porque eu quis, não existe motivo para que sejam expostos.
Por todo lado onde inclino minha cabeça, posso contemplar a beleza da Criação, até quando fecho meus olhos, negando minha existência perante ao Criador, o posso encontrá-lo de forma latente no mais intímo do meu ser, essa latência, quando não incomoda como uma voz estrondosa que me ordena uma ação, que cobra pelas minhas omissões, que guia meus passos, mesmo quando quero me perder, é a mesma que enche minh’alma de um calor que em outros contextos, poderiam, queimar-me, mas vindo de Ti, meu Deus, provoca-me apenas afagos e um senso de pertença, que demorei um tenro tempo para perceber.
Ainda sim, admoestava minhas ações que pareciam tão frívolas, afim de que não tivesse eu como castigo aquilo que outrora já havia me permitido, que era, guiar-me sozinho, como um cego que não tendo nada como referência, debate-se contra paredes, tropeça em buracos e angustia-se consigo próprio por não conseguir, de tal forma, isso era cômico, e sendo de fato, eu ria das minhas próprias incertezas, e fazia delas meu belo e imaginário castelo de areia.
Mas, para viver em Vós, era necessário que a maré de vossa Graça destruisse a imponente obra de que me vangloriava, e que a todo custo, queria proteger de Ti, esforço vão e ingênuo, foste como um tsunami e inundasse tudo, entretanto, eu não sei nadar em Ti, e o peso do meu corpo induz-me a afundar…
Matheus Andrade
-27/05/2017