Viva à sua falsidade


Viva a sua falsidade. Repito, do fundo do meu coração, viva à sua falsidade. Como naquela vez que cheguei estressado da agência e nos beijamos, ou melhor, você me beijou do mesmo jeito especial que você me beijou no dia que nos olhamos na casa da sua amiga. Eu não esperava aquele beijo, nenhum dos dois. Na verdade estávamos brigados, e mesmo assim você me beijou daquele jeito apaixonado, como se nada tivesse acontecido na noite anterior.

Viva a sua falsidade. Como naquela vez que você me disse que adorou nosso sexo, mas eu estava bêbado e não sabia o que estava fazendo, e provavelmente fui rude com você. Provavelmente estaria procurando por outra, em vão, se você tivesse me falado a verdade.

Viva a sua falsidade. Como naquela vez que você fingiu que não viu a mensagem do Pedro falando que a noite com aquelas meninas foi boa, só para não brigarmos, mais uma vez, porque eu pisei na bola novamente.

Viva a sua falsidade. Como naquela vez que você disse para minha mãe que adorou aquele jogo de xícaras com desenhos do Romero Britto. Eu sei que você odeia Romero Britto, mas minha mãe ficou super feliz quando você disse: “Adorei, Laura! Eu sou apaixonada por Romero Britto”.

Acho que eu fui falso com você esse tempo todo. Por não dizer um “eu te amo” de verdade.

A verdade é que agora eu sinto falta de você, e nem um “eu te amo” verdadeiro vai fazer você continuar fingindo para mim.

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