Florença, fevereiro de 2017

Às vezes uma paisagem ou uma melodia inspiram a redenção da memória de um homem. Nesse instante decisivo a realidade parece mais viva do que em outros momentos. Seu único desejo é pegar pela mão cada uma das pessoas que um dia amou e carregá-las em sua jornada, apontando, a cada passo, para uma nova beleza presente nos detalhes do mundo: uma janela entreaberta no final de uma tarde de inverno, a corrida apressada de uma criança que tem diante de si um universo para conquistar, o movimento delicado das folhas de uma árvore ao vento, o andar calmo de um casal de velhos que carrega em suas costas a suave satisfação de um destino realizado. A apreciação de cada um desses quadros seria oferecida como um presente para consolar os erros do passado, substituindo as faltas cometidas e as tragédias inescapáveis por uma nova lembrança que poderá servir de salvação ao que restar dos nossos dias.

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