
Otherwise Forget It, um manifesto de Bob Gill aos designers
Topei com esse artigo do Bob Gill hoje. Todo designer, criador e empreendedor deveria ler isso.
“O público alvo de um designer gráfico é o mesmo público que tem visto os últimos filmes estrangeiros e videoclipes mais excitantes, cheios de efeitos especiais absolutamente deslumbrantes. Como um designer pode competir com esse tipo de mágica? Nós não temos a tecnologia, o orçamento ou o tempo necessário. Se nós quisermos atrair a atenção para o nosso trabalho, nós temos que ir para o outro extremo. Temos que ir à realidade! Precisamos ter um olhar atento sobre o mundo real e, com efeito, dizer para o nosso público: “Veja! Você havia notado isso antes? Mesmo estando bem debaixo do seu nariz.” Isso, para mim, é mais emocionante que o mais surpreendente dos efeitos especiais. E há mais uma coisa sobre a situação atual que os designers precisam reconhecer. Antes dos computadores, a produção de material impresso estava na mão de designers e impressores. A maior parte dos clientes tinha apenas uma vaga ideia de como essas coisas eram produzidas. E eles estavam dispostos a pagar bem pelos logos, newsletters, brochuras e outros materiais gráficos da sua empresa.
Hoje, por pouquíssimo dinheiro, é possível comprar um programa que permite que qualquer pessoa com um computador produza a maior parte do material necessário para uma empresa de médio porte. A mística foi embora do trabalho convencional de design e impressão. Esses programas combinam palavras e imagens em formatos engenhosos e aspecto profissional. Para uma necessidade comercial de baixo nível, isso é perfeitamente normal. Assim, se um redator pode fazer muito do trabalho feito anteriormente por um especialista bem pago, o que resta para os designers? Designers tem que fazer coisas que um redator com um computador não consegue fazer. Isso quer dizer que eles precisam ser “solucionadores” de problemas, se quiserem sobreviver. E, infelizmente, pensar não é o maior dos amores para os designers. Eles adoram escolher cores, mover tipografias e formas, desenhar em um estilo particular e estabelecer novos artifícios gráficos em seus trabalhos, independentemente se isso é apropriado ou não.
Eles aprenderam essas artimanhas a partir da cultura. A maioria dos designers gasta seu tempo tentando imitar o que é supostamente atual, o que está na moda. Mas apenas pense, se quisermos fazer alguma coisa que um computador nas mãos de um não-designer pode fazer, uma coisa original, como podemos depender do que a cultura nos diz? (A cultura diz a todos a mesma coisa.)

Algumas poucas megacorporações impõe essa cultura em nós. Seu monopólio virtual de TV, moda, música pop, teatros, revistas, filmes, etc, é projetado para apelar ao menor denominador comum que, por sua vez, permite a eles transformar quase tudo em mercadoria: de bonecos de ação do Obama a camisetas da Kelly Clarkson, por exemplo. É claro, esse monopólio permite alta cultura somente o suficiente para provar que eles não são uns filisteus. Mas como você pode desviar dessa avalanche de mediocridade para então poder tornar-se um pensador original? Primeiro, limpe sua mente do máximo de bagagem cultural possível. Quando você consegue um emprego, independente de quão familiar seja o assunto, resista a qualquer tentação de pensar que você sabe o suficiente sobre aquilo, e que você está pronto para criar. Presuma que toda a s informações e imagens foram fornecidas pela cultura, que nenhuma informação que você tem é original.
Pesquise o assunto como se você não soubesse nada sobre ele. E não pare até que você tenha algo interessante, ou até melhor, algo original para dizer. Esse é o caminho mais plausível para produzir uma imagem original. O processo do design pode começar somente depois que você estiver satisfeito com o que estiver propondo. Escute sua proposição. O design surgirá por si. Bom, pelo menos quase por si. Existem trilhões de imagens violentando seu público, competindo pela sua atenção. O mínimo que você pode fazer é não colocar imagem e palavra competindo uma contra a outra em seu design. Pegue uma frase como “nós curamos câncer por um dólar”. Não é necessário fazer com que essas palavras pareçam interessantes. Elas já são interessantes. Se você tentar fazer palavras interessantes parecerem interessantes, a maneira como elas vão aparecer competirá com seu significado. Além disso, se você quiser atrair atenção a uma imagem interessante, as palavras que a acompanham não podem ser incomuns. Design é resolver problemas. A maioria dos designers não está interessado em resolver problemas. Eles estão mais interessados em produzir um trabalho com uma aparência legal. Isso é como um matemático que, antes de resolver o problema, já sabe que a resposta é 128. O bom design é aquele que melhor se comunica de uma forma original, até mesmo quando não é conforme os nossos conceitos formados sobre o bom design. Nenhuma imagem, cor ou tipografia é sempre boa ou sempre má. O que faz dela boa é se essa imagem, cor ou tipografia expressa exatamente aquilo que você quer expressar. Otherwise forget it (caso contrário, esqueça).
Tudo de bom. Bob Gill.”
O artigo original você encontra aqui.
