13 Razões

Antes de entrar no assunto, uma nota de esclarecimento: eu sofria bullying na época do colégio, especialmente quando o pessoal descobriu o que significavam termos como “bichinha” e afins. Anos depois, por conta do meu efeito sanfona nas gordurinhas, como já falei em outro texto, inclusive. Porém, eu nunca cheguei ao ponto de Hannah Baker. Nunca entrei em depressão e cogitei suicídio.

Melhor lido ao som de:

Com esse rápido pensamento, fico extremamente preocupado com a repercussão de opiniões e argumentos (mesmo que alguns sejam interessantes) de pessoas de todas as áreas que estão dizendo para não ou, sim, assistir 13 Reasons Why. Sim, eu assisti a toda série. Sim (alerta de spoiler, mesmo que não seja spoiler), eu fiquei espantado com a cena em si do suicídio.

Apesar disso, pra MIM (ênfase necessária), Matheus de Melo Bonez, não houve glamourização na cena, e, sim, algo extremamente triste, chocante, violento. Chorei pela garota, pela dor psicológica e física dela. Pelos pais desesperados. Não me pareceu um tutorial. Ao menos, não maior que em muitos outros filmes, séries e notícias veiculadas por aí. Mas, como acabei de criticar, esta é uma visão particular de quem nunca sofreu o que aquela menina sofreu na pele durante a série e que muita gente vive na realidade aqui fora.

Eu só posso analisar o conteúdo do Netflix de duas formas: uma pelo aspecto audiovisual (e aí vejo vários problemas narrativos, de montagem e afins, ainda que, por outro lado, o roteiro tenha fisgado minha atenção até o último episódio) e outra pelo tema. Este, sim, deve ser debatido. Não, não contesto o Efeito Werther (leiam Goethe para entender melhor), muito menos a recomendação da OMS sobre a não divulgação de suicídios.

Acredito que, sim, não basta apenas o aviso de cenas fortes nos últimos episódios. O telefone do Centro de Valorização da Vida, que ajuda potenciais suicidas a refletirem melhor, deveria estar em toda a série, não apenas como um anexo, um item a mais no fim. Ao mesmo tempo, ainda com seus erros, nunca vi um filme ou seriado falar de forma tão realista sobre o tema, em especial na adolescência, em que o número de casos de pessoas que tiram a própria vida é extremamente alto. E como isso é um tiro pra quem sofre o mal do bullying da mesma forma que pode causar uma maior consciência em quem faz isso com os outros. Empatia, sabe?

Posto isso, quero dizer o seguinte: pra nós, que não somos psicólogos, psicanalistas, terapeutas e afins, além de não sofrermos com a depressão e tendências suicidas, é muito fácil opinarmos e nos posicionarmos a favor ou contra a série. Se há erros e, talvez, até crimes na forma como o tema é retratado, o melhor é deixar para quem realmente é especialista no assunto. Ou seja, profissionais da saúde mental e, claro, quem sofre de depressão.

Agora, não adianta nós, pobres ou ricos, permeados por sucesso em todas as áreas da vida ou não, dar uma de colunista sem noção e querer ditar regras sobre algo que não entendemos, apenas assistimos e tentamos, ao máximo, assimilar da melhor forma possível. Podemos até nos colocar no lugar do outro, mas, no fundo, não somos eles. E estes eles é que precisam dar voz a isto.

Independente de ser banido ou não desta discussão toda, o Clay tinha (e tem) toda a razão. “Tem que melhorar a maneira que tratamos e olhamos uns aos outros. De alguma forma, temos que melhorar”.

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