Dicotomia: acreditar e saber. Qual o melhor?

Na nossa vida, sempre temos grandes dicotomias: certo e errado, viver e existir, amor e indiferença. Porém, há um "conjunto dicotômico universo" a qual podemos dizer em que todos esses elementos (certo e errado, viver e existir, amor e indiferença) existam: acreditar e saber.

Quando falamos sobre "acreditar" já nos vem algumas coisas em nossas cabeças: fé, religião, D(d)eus, amor e etc. Porém, antes de seguirmos adiante, é necessário fazer algumas provocações etimológicas. Primeiramente, qual seria a diferença entre "saber" e "acreditar"?

Previamente, o processo do saber envolve uma certeza. Por exemplo, se eu brinco com fogo, logo eu irei me queimar. Melhor ainda: o processo de saber envolve todo o acúmulo de informação sendo empírica ou tangível daquilo que foi vivido ou observado a qual usamos para evitar nossos erros futuros. Daí é que nascem aquelas pessoas que se denominam agnósticas. O que seria um agnóstico? Essa palavra deriva de gnose, em grego, significa conhecimento. O prefixo "a", encontrado anteriormente, remete o significado de negação, logo seria "agnose", ou seja, um agnóstico é aquele que não tem conhecimento para responder tal pergunta. Neste momento, você pode estar se perguntando qual seria a diferença entre um ateu e um agnóstico, não é verdade? Tudo isso será esclarecido posteriormente.

Podemos seguir adiante com o explicação do que é "acreditar". Esse processo, diferentemente dos solos firmes do conhecimento, envolve mais intuição. Muitas vezes ela é verdadeira e muitas vezes, novamente, muitas vezes, ela está errada. Pode-se citar vários momentos históricos onde o primeiro passo para o conhecimento foi a crença em algo. Por exemplo, acreditava-se que a Terra era plana, geocentrismo ou que as mulheres deveriam ser submissas ao homem pelo fato delas terem nascidas da sua costela (é uma etiologia, mas isso fica para o um próximo texto). Em outras palavras, acreditar é viver em torno de um não saber. Logo, uma pessoa denominada ateia, etimologicamente, quer dizer que não acredita em um D(d)eus (ou em algo que necessite o passo de acreditar), ela não passa nem pela necessidade de saber, simplesmente não acredita. Nota-se, portanto, que não há conflito filosófico entre saber e acreditar. Por exemplo: você acredita em alienígenas? (teísmo, crença). Agora, você sabe se existe vida fora da Terra? (conhecimento, gnose ou "agnose"). Ou seja, você pode acreditar (ou não) que há vida fora do nosso planeta ao mesmo tempo sem saber se de verdade existe.

Depois de todo esse esclarecimento etimológico, venho aqui com algumas provocações, oriundas não de um embasamento religioso mas do nosso convívio quanto pessoa. É possível ser feliz só com um dos dois? Ou esses princípios, assim como na Constituição Federal, depende de cada caso? Ora, o amor vive de um não saber. Porém, é melhor acreditar que uma pessoa te ama ou saber de fato? Ser feliz ou estar certo? Qual seria essa linha que nos mostre qual é o melhor?

Diante desses questionamentos, eu trago a minha resposta: nem todas as perguntas foram feitas para serem respondias. Elas apenas existem para dar o gosto de irmos nos conhecendo, aventurando e nos descobrindo. Não há erro em errar. Único erro consiste em não querer errar e não querer sair dele. Respondendo o título: não há um melhor. O melhor é viver, além de acreditar ou saber, o que importa mesmo é não passar a vida em branco.

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Matheus Brandão’s story.