‘Sorteio aberto’, oportunidade e jogo único, ou: como a Inglaterra pode melhorar a Copa do Brasil

Neste ano, como já é de conhecimento geral, a CBF alterou algumas da regras da Copa do Brasil. Ponto para a entidade máxima do futebol brasileiro. A partir de agora, as duas primeiras rodadas da competição são ao estilo ‘perdeu, cai fora’, algo que pode ajudar os clubes menores, que estão brigando por seu lugar ao sol.

Claro, algumas coisas ainda seguem incomodando. Não seria na primeira mudança que o formato agradaria a todos. O empate favorecendo o visitante na primeira rodada, sem a adição dos pênaltis, e o grande direcionamento do sorteio são alguns dos pontos que a organizadora ainda pode rever, mas o acerto do jogo único, que obriga os grandes a ficarem de olhos abertos, foi um tiro certeiro.

Após implantar o ‘jogo único’, CBF podia acabar com direcionamento do sorteio da Copa do Brasil (Kin Saito/Divulgação)

Agora, é bem verdade que o torneio mais diversificado do Brasil ainda peca nesta pluralidade que deveria ter. Infelizmente, muitos clubes ainda ficam de fora da grande festa da Copa do Brasil, e não têm a chance de se mostrar no cenário nacional. Apesar de saber que o País é extenso, e que acomodar todos os interessados demandaria uma considerável estrutura, principalmente financeira, o exemplo inglês pode ser visto como um ‘plano para o futuro’.

Para quem não sabe, na Inglaterra, todo e qualquer clube pode se candidatar a participar da Copa da Inglaterra, competição futebolística mais antiga do planeta. Para que o acesso seja aceito, certas determinações e regras devem ser observadas, o que acaba por eliminar alguns dos interessados. Ainda assim, mais de 700 clubes chegam a disputar o torneio todos os anos. Na atual edição, nada menos que 736 times iniciaram a busca pela taça.

“Ah, mas o Brasil é muito grande. Não seria possível comportar datas no já estufado calendário para acomodar tantos jogos”. Na verdade, sem haver a necessidade de copiar o sistema completo dos ingleses, que chegam a abrir espaço até para times amadores, já seria possível transformar a Copa do Brasil e abrir as portas para mais interessados.

Atualmente, 638 equipes estão disputando, ou vão disputar, os campeonatos estaduais. Destas, apenas 91 conquistaram o direito de estar na segunda competição mais importante do Brasil. Ora, isso representa menos de 15% dos times em atividade no país e, apesar de entender que a participação é como um prêmio, o fato de excluir uma grande parcela das agremiações faz com que a Copa perca um pouco de seu brilho.

Com medidas simples, como a manutenção do jogo único, com a adição das penalidades em todas as partidas que terminarem com igualdade no placar, e a boa vontade da entidade, é possível, sim, acomodar todos os times no torneio. E isso seria feito ainda de uma forma que não prejudicasse os grandes, assim como acontece na Inglaterra: ‘se matando aos poucos’, os pequenos teriam um calendário um pouco maior, com mais chance de faturar algum dinheiro e sobreviver, e dariam novo charme ao torneio.

Atual campeão, Grêmio só entra no torneio nas oitavas, privilégio que não seria mudado (Lucas Uebel /Grêmio)

E tudo isso sem tirar os atuais privilégios dos participantes da Copa Libertadores e dos outros clubes que ‘entram mais tarde’. Ao todo, em um estudo rápido de possibilidades, seriam necessárias cerca de 11 a 15 datas para que a competição chegasse nas oitavas de final, assim como acontece hoje.

Por fim, o direcionamento dos duelos. No modelo inglês, não importa se dois clubes da Premier League já vão se enfrentar logo na primeira rodada. Se o sorteio quis assim, assim vai ser. Isso também é um facilitador para os times de menor expressão: se o destino lhe sorrir, um time da quinta divisão pode chegar nas fases mais agudas da competição enfrentando apenas seus pares, enquanto os gigantes se matam.

Infelizmente, esse parece um sonho mais distante de se concretizar no Brasil. Por aqui, é mais interessante que clubes de maior expressão cheguem aos finalmentes do torneio, enquanto os bravos morrem logo nas primeiras batalhas. Mas que seria divertido ver três ou quatro equipes da Série D nas oitavas de final, enquanto os movimentadores de dinheiro acompanham pela TV, isso seria!

Sorteios divertidos e sem nenhum tipo de restrição: o modelo inglês que a CBF deveria copiar (Reprodução/Youtube)