Sobre fanatismo político, militantes e desinformados: o cinismo da campanha petista


E porque você não deveria acreditar em tudo o que é dito durante as eleições


Onde há internet, há alguém sendo chamado de petralha ou coxinha. Esse parece ser o mantra que rege as redes sociais durante o período eleitoral. Se você tem o costume de ler o seu feed no Facebook, certamente já se deparou com um tanto de amigos ou conhecidos esbravejando contra um dos candidatos à presidência. Ou esbravejando entre si, por discordarem um do outro. Ou talvez você mesmo seja um dos esbravejadores. E isso é um problema, na maioria dos casos.

Round 1: Petralhas vs Coxinhas

Debater política não deveria ser um problema – e de fato não é.

O problema é o modo como isso é feito.

Ao que parece, a política passou por um processo de “futebolização”. As pessoas não defendem mais ideias ou modelos, defendem um partido. Uma legenda. Uma cor. Um punhado de letras. Esse fanatismo irracional é equiparável ao futebol simplesmente porque o indivíduo deixa de ser um eleitor e torna-se um mero torcedor. Senso crítico e a opinião própria vão para o espaço, tudo o que resta é um diálogo vazio que se resume a apenas repetir o que está manda a cartilha do seu “clube” do coração.

Aí o nível baixa rapidinho: vale tudo para mostrar a todos que você torce para o “time” certo. Até mesmo se apoiar em mentiras muito convenientes. “O meu partido é o arauto da honestidade e competência, enquanto o seu partido é feio, bobo e malvado”, diz alguém, cheio de si, dono de uma certeza tão grande que você realmente fica na dúvida se é má fé ou apenas ingenuidade. Se é alguém querendo iludir outras pessoas, ou se a própria pessoa é apenas uma vítima da ilusão, induzida por terceiros a acreditar cegamente que este tipo de polarização realmente existe na política. Que o seu candidato é perfeito, o único que possui boas propostas e boas intenções. E que o adversário é, no mínimo, o anticristo em pessoa.

Ilusor ou iludido?

Seja qual for a resposta, o grande problema está na inversão do processo. Seja por simpatia ou qualquer outro critério superficial, primeiro se escolhe um partido ou candidato para torcer/votar, para só depois buscar argumentos em defesa desta escolha — ou até mesmo mentiras, se assim for necessário. Porque, aconteça o que acontecer, o importante é não voltar atrás na decisão. Admitir equívocos é feio, pega mal. Afinal, o que importa é apenas parecer politizado e socialmente engajado perante as pessoas — e não ser, de fato. Obviamente, não deveria ser assim.

Mas é por causa dessa inversão bizarra de prioridades que as discussões políticas hoje em dia se resumem, em sua maioria, a uma militância desinformada que só propaga desinformação e não acrescenta nada de valor ao debate. Que vomita gráficos, estatísticas e comparações sem ter a mínima noção do que significam. Tudo isso apenas para legitimar a sua opção. Tal qual como no futebol, nutrem um apoio incondicional para com os seus candidatos, aconteça o que acontecer.

Militar também não deveria ser um problema – e também de fato não é.

O problema – adivinha – é o modo como isso é feito.

A (des)informação é uma arma


Existe um perfil de eleitor que é responsável por uma parcela significativa do número de votos nas eleições: o desinformado. O eleitor desinformado é aquele que, seja por falta de interesse, instrução ou acesso à informação, não reúne conhecimento suficiente para fazer uma avaliação crítica dos candidatos e embasar o seu próprio voto – vota simplesmente porque é necessário votar. Vota no candidato que parecer menos ruinzinho. Pode parecer arrogância falar algo assim, mas é inegável que uma grande fatia da sociedade é completamente aversa à política. E querendo ou não, esse é um detalhe importante.

No fundo, o eleitor desinformado e o eleitor militante são, basicamente, iguais. Ambos definem o seu candidato através de critérios passionais ao invés de racionais. A única diferença é que o fanático é um desinformado ativo. Ele milita para tentar convencer os desinformados de que o seu candidato é a melhor opção. Na prática, é um eleitor desinformado tentando doutrinar outro eleitor tão desinformado quanto ele próprio. Essa relação entre desinformados ativos e passivos é o grande responsável pelo mar de boatos e distorções que se vê todos os dias na internet.

“Só eu que tô nem aí para eleições?” Não.

Políticos e partidos sabem muito bem do abismo existente entre a política e a nossa população. Sabem que a maior parcela da sociedade nutre um interesse praticamente nulo pelo assunto. Por isso, espalhar boatos é um modelo que funciona muito bem quando o objetivo é conquistar votos, pois atinge em cheio os eleitores desinformados. Porque para esse tipo de eleitor o boato vira verdade.

Afinal, se o propósito é convencer alguém a votar no seu candidato, é muito mais eficiente e ao mesmo tempo menos trabalhoso inventar fatos negativos sobre os adversários do que discutir planos e ideologias de forma honesta e aberta. Por que falar apenas “Fulano está sendo investigado por corrupção”, se “Fulano foi condenado por corrupção e coleciona crocs” será uma afirmação muito mais contundente na hora de influenciar algum desavisado a decidir o voto? Quanto maior for a quantidade de fatos negativos, mais fácil fica.

Porque sabe-se que poucos irão se dar ao trabalho de conferir a veracidade esses fatos. Se a propaganda for bonitinha, convence e vira verdade. O fanatismo cresce na mesma proporção que a desinformação, um puxando o outro.

Agora, graças ao segundo turno eleitoral, chegamos ao ponto em que esse maniqueísmo chega a níveis extremos. Há quem defenda fervorosamente que o PT é o paraíso e o PSDB é o inferno. Assim como há quem defenda o contrário, justiça seja feita. Mas é simples assim: um é salvação e o outro a ruína, dizem. Um é responsável por tudo o que é bom e o outro pelo o que é ruim.

Nem tanto ao céu nem tanto ao mar. PT e PSDB são mais parecidos do que muita gente pensa. Mesmo assim, existe uma cisão muito clara entre os eleitores de cada partido, que parece tornar as pessoas incapazes de enxergar as virtudes do adversário – tal qual como no futebol. Para fanáticos petistas, FHC foi um monstro que arruinou o Brasil, e para fanáticos tucanos, Lula é apenas um ladrão analfabeto. Esse tipo de pensamento talvez seja um dos responsáveis por tornar cada vez mais intensa a rixa existente entre os dois lados muro, alimentando uma birra infantil onde ninguém quer dar o braço a torcer, ninguém quer admitir que o outro fez um bom trabalho. E o fanatismo vai além: não reconhecer as virtudes alheias não é o suficiente, é necessário falar mal, inventar mentiras, dar continuidade aos boatos e ruídos que contribuem para a manutenção da desinformação geral. Para que o seu “time” vença disputa.

É por isso que hoje em dia é extremamente difícil encontrar informações úteis em praticamente qualquer discussão envolvendo política — principalmente na internet, o lar dos manifestantes partidários mais fanáticos. Infelizmente, o meio virtual virou um ambiente estratégico para os políticos, onde vence aquele que conseguir gritar mentiras mais alto. Ou melhor, vence aquele que conseguir fazer os seus “torcedores” gritarem mentiras mais alto.

A internet virou praticamente um grade poleiro cheio de papagaios especialmente treinados para repetir estatísticas descontextualizadas, calúnias e factoides — produtos confeccionados com a finalidade de conquistar votos. São repetidos à exaustão, buscando atingir o maior número possível de pessoas e fisgando os mais desavisados no meio do processo, que infelizmente acabam caindo nessa brincadeira de manipulação.

Superficialmente, o discurso do eleitor fanático pode parecer realmente legítimo — assim como aquela frase cantada pelo papagaio de estimação do seu avô. Por um breve momento, você realmente chega a acreditar que o papagaio — e o fanático — tem alguma noção do que está sendo dito. No entanto, basta tentar dialogar com qualquer um dos dois e você verá que ambos só sabem repetir o que lhes foi ensinado – ou o que escutaram por aí.

O que nos leva ao real propósito desse texto.

Por mais que este tipo de comportamento dúbio não seja exclusividade de uma única legenda ou ideologia, a campanha petista vem extrapolando todos os limites. Você é livre para discordar, mas eu realmente não me recordo de ver algum partido jogar tão sujo em uma disputa eleitoral quanto o PT vem fazendo nas atuais eleições. Se aproveitando exatamente desta dinâmica existente entre fanatismo e desinformação.

Se você vota na Dilma e se encaixa no estereótipo de manifestante fanático que eu descrevi até aqui, este provavelmente é o exato momento em que você vai interromper a leitura e me chamar de “coxinha reaça elitista” a plenos pulmões. Mas se você for mente aberta, pode optar por prosseguir com a leitura e ao menos comparar o seu ponto de vista com o meu. E talvez perceber que, na internet, ceticismo é algo que todos deveriam carregar embaixo do braço.

Só não vale dedo no olho


Pois bem. Eu não consigo identificar no discurso tucano tantas opiniões extremistas e falaciosas como as que eu encontro no discurso petista. A não ser que você defenda que escândalos como o Mensalão e o recente caso de desvio de dinheiro da Petrobrás são armação da “mídia golpista”, ou que a inflação e o baixo crescimento do PIB também são balela, você provavelmente concordará que as principais críticas do eleitorado pró-Aécio são baseadas em fatos concretos, palpáveis. Ok, é um discurso até certo ponto vazio, porque se baseia apenas em desqualificar o adversário ao invés de defender propostas. Mas não há inverdades; a corrupção e os problemas na economia são dois temas recorrentes, basta acompanhar os jornais. Ademais, o que se espera de um movimento de oposição é justamente que ele oponha (dã) ao governo. E colocar o dedo nas feridas faz parte disso.

O PT, por outro lado, é o governo da situação. É quem está no poder, é o responsável por administrar o país. Diferente da oposição, que precisa bater e criticar para poder conquistar espaço, ganhar cancha, o governo já é o “dono do play”. Só precisa defender o próprio terreno para continuar onde está. Mesmo assim, vem adotando uma postura extremamente agressiva contra os seus adversários. Ao invés de se preocupar mais em defender o que fez de bom nesses últimos 4 anos, prefere simplesmente dedicar a maior parte do seu tempo apontando o que os outros fizeram de “ruim”. Em tese, defender a situação é muito mais fácil do que fazer oposição. Então porque a campanha de Dilma passa mais tempo tentando bater na oposição ao invés de falar sobre o próprio governo?

Você já deve imaginar a minha resposta, mas vamos lá: é simplesmente porque o governo de Dilma não foi bom. O partido sabe que o governo atual não fez o dever de casa e está deixando a desejar. E por conta disso, se sente acuado sob a ameaça de perder o cargo mais importante do país.

Apesar de atípico, ver a situação jogando totalmente na ofensiva não é de fato um problema. Cada um joga do jeito que achar melhor.

O problema — veja só você, a mesma frase de novo aqui — é o modo como isso é feito.


Exemplos das falácias que circulam na internet. Você pode conferir a versão noticiada dos fatos aqui, aqui, aqui, aqui e aqui, respectivamente. E aí, acha que isso é jogo limpo?


Ao que tudo indica, quando bate o desespero, vale tudo para se manter no poder — até mesmo apelar para a política do medo, descontextualizar estatísticas, distorcer fatos e inventar tantos outros. Foi assim que Marina Silva saiu da liderança das pesquisas de intenção de voto para amargar um mísero terceiro lugar ao final do primeiro turno. É verdade que muitos dos problemas que prejudicaram sua campanha foram criados por ela mesma, como a súbita mudança no capítulo referente à comunidade LGBT em seu plano de governo, ou o seu voto contra a CPMF que acabou saindo pela culatra. No entanto, estas foram apenas as pás de cal; a cova foi preparada durante semanas pela antipropaganda petista, que chegou a veicular peças afirmando que faltaria comida na mesa das famílias brasileiras caso Marina fosse eleita, através de uma análise completamente simplista e deturpada sobre o funcionamento do Banco Central.

Não sei você, mas tentar persuadir o eleitor através do medo está longe do que eu considero aceitável para uma campanha honesta.

Outra da coleção de mentiras compartilhadas nas redes sociais. A frase creditada a Aécio Neves é tão verdadeira que ninguém sabe de onde ela veio ou quando isso foi dito. Não existe fonte. Como já “dizia” Machado de Assiss, “o grande problema de citações na internet é que nunca sabemos se o crédito é verdadeiro”.

Marina Silva saiu de cena e veio Aécio Neves. A postura da campanha de Dilma manteve-se a mesma, só mudou o alvo. Além da forte onda de boatos que tomou conta da internet, a moda agora é falar que o PSDB quebrou o Brasil três vezes durante o governo de Fernando Henrique Cardoso; que na época do governo tucano a inflação e o desemprego eram mais altos do que hoje, que a economia estava péssima — entre outros fatos e estatísticas convenientemente citados fora de contexto para fazer parecer que Lula e Dilma foram os responsáveis por salvar o país de uma “fossa” supostamente criada pelo governo FHC. E assim, alimentando ainda mais a polarização tão adorada pela militância fanática.

A campanha petista sempre fez essa separação radical entre o seu governo e o governo do ex-presidente tucano. Como se Lula, ao ser eleito presidente, tivesse apertado o botão “reset” e começado a construir um Brasil novo, do zero. Infelizmente, tanto os eleitores fanáticos quanto os eleitores desinformados que se deixam levar por esse tipo de mentira acabam acreditando cegamente que todos os louros do desenvolvimento do país se deve exclusivamente ao que aconteceu a partir do governo Lula.

O governo ralou muito para poder sair da situação que nós nos encontrávamos” — confabula Dilma.

Lula e FHC: governos complementares


Ao contrário do que a polarização sugere, tanto Lula quanto FHC foram dois ótimos presidentes. O fato de um ter realizado um governo satisfatório não impede que o outro também tenha realizado um governo igualmente satisfatório. No entanto o velho fanatismo mencionado já está tão impregnado que parece impedir as pessoas de enxergar que FHC e Lula não são um Fla-Flu ou um Gre-nal. Política não deveria ser analisada como se fosse uma partida de futebol.

FHC certamente não direcionou seus esforços para a distribuição de renda ou políticas sociais mais incisivas — e por isso muitos o classificam como “elitista”, sem levar em conta o contexto da época em que foi eleito. Na década de 90, a principal demanda do país era estabilização da moeda, e não a criação de programas sociais. O país precisava readquirir uma base estável de preços e uma moeda menos volátil para que a economia pudesse voltar aos eixos e, aí sim, almejar voos mais altos. Esta tarefa, o ex-presidente cumpriu com louvor. Foi responsável por efetivar o Plano Real e estabilizar a inflação, que na época chegou a ultrapassar os 900% ao ano (!) e parecia ser um problema fora de controle.

Também desafogou o Estado privatizando estatais que traziam prejuízo aos cofres públicos ou eram ineficientes, criou agências reguladoras (como a Anatel) e uma série de medidas importantes, como a criação da Lei da Responsabilidade Fiscal. Em suma, o ex-presidente que muitos amam odiar — muito disso graças à propaganda petista, que conseguiu transformar “privatização” em palavrão — é o grande responsável pela base que sustenta o funcionamento do Brasil no qual eu e você vivemos hoje.

FHC entregou ao final do seu segundo mandato um país livre das turbulências dos anos 80 e preparado para finalmente poder crescer. E aí veio o Lula, que também fez a sua parte.

Se a agenda do país em 94 pedia o combate á inflação, em 2002, o tema era a distribuição de renda. Lula foi eleito prometendo atender às estas novas demandas – e cumpriu. Através de políticas sociais como Bolsa Família, o ex-presidente ajudou milhões de famílias a alcançar um padrão de vida mais digno. Controlou ainda mais a inflação, reduziu os índices de desemprego e analfabetismo, combateu o trabalho infantil, e — talvez a conquista mais importante — aumentou o poder aquisitivo do trabalhador.

Também soube conduzir muito bem a economia do país, especialmente durante a crise mundial de 2008, mantendo a estabilidade e o crescimento mesmo diante das adversidades da época. Assim como FHC, Lula cumpriu com a tarefa que lhe cabia no período em que foi eleito.

É visível que o trabalho de ambos está interligado. Analisar — e pior ainda, comparar — os números de ambos sem levar em conta como era o ambiente na época em que cada um governou é de um oportunismo imenso. Sem as resoluções de FHC, o país não teria condições de crescer o que cresceu com Lula. Sem a estabilização da moeda nos anos 90, programas sociais como o Bolsa Família teriam pouquíssima eficiência devido à inflação. Lula teve muitos méritos, e um deles foi reconhecer os acertos do seu antecessor dar continuidade ao que vinha funcionando.

Infelizmente, o que foi feito na prática não condiz com o discurso oficial: o PT não apenas é incapaz de admitir que a oposição contribuiu substancialmente para o sucesso do seu governo, como faz questão de afirmar exatamente o oposto. Como se o desenvolvimento do país tivesse sido conquistado apesar de FHC, e não com a contribuição de FHC. Pega números e situações de 20 anos atrás e as comenta fora de contexto, tentando induzir o eleitor a adotar uma visão extremista. A acreditar que o mundo de duas décadas atrás era o mesmo de hoje, e por isso, basta comparar diretamente os números de cada governo para ver que um foi ruim e o outro foi bom. Como se estívessemos jogando Super Trunfo. Manipulação pura.

Novamente, não sei você, mas tentar persuadir o eleitor através de mentiras também está longe que eu considero aceitável para qualquer campanha honesta.

Dilma: tergiversando e estagnando


Na prática, o motivo pelo qual a propaganda de Dilma é tão apelativa é também o mesmo motivo pelo qual seu governo está em baixa, com índices consideráveis de reprovação popular. Por isso, embora o objetivo deste texto não seja tentar te convencer a não votar na candidata petista, é inevitável não falar sobre os seus fracassos na presidência — eles explicam tudo o que está acontecendo.

FHC e Lula foram dois presidentes que cumpriram as agendas que lhe cabiam na época em que foram eleitos — controle da inflação e distribuição de renda, respectivamente. Aí eu te pergunto: e Dilma?

Em 2010, os temas da vez eram saúde e educação. Dilma inclusive foi eleita defendendo sua campanha em cima destes tópicos. Estamos em outubro. Faltando menos de 3 meses para o final do seu mandato, muito pouco foi feito para um governo que havia se comprometido a cuidar da saúde e da educação. Para a saúde, o único legado é o Mais Médicos, que está longe de ser uma unanimidade, seja pela sua eficiência questionável ou pelo modo como foi concebido. Aumentou-se a quantidade de médicos, mas a infraestrutura do setor continua precária.

Na área da educação, há o ProUni, que foi criado durante o governo Lula, mas cresceu bastante nos últimos 4 anos. Embora o número de vagas nas universidades tenha aumentado e se democratizado, a qualidade do ensino caiu. O mesmo se observa na educação básica: o desempenho piorou. De positivo mesmo, há o Pronatec, criado durante o seu governo, que já forneceu qualificação a milhões de pessoas através de cursos profissionalizantes de curto e médio prazo e é um ótimo projeto, sem ressalvas. No entanto, o saldo final é muito baixo para estas que eram as duas principais demandas do governo de Dilma.

Sua atuação nas demais áreas públicas também pouco ou nada agregou. A Copa do Mundo, um capítulo à parte, acumulou inúmeros fiascos e promessas não cumpridas. O atraso crítico nas obras, o superfaturamento na construção dos estádios, além das dezenas de obras de mobilidade urbana que ficaram apenas no papel são apenas alguns dos problemas que escancaram a falta de planejando e compromisso do governo.

Diferente de FHC e Lula, Dilma não só foi incapaz de cumprir com os compromissos que lhe cabiam nesta nova agenda de demandas, como também colocou em risco a estabilidade financeira do país. A postura intervencionista de nossa presidente na economia — sobretudo em cima do Banco Central para tentar conter a desvalorização do real e maquiar os problemas — acabou abalando a confiança do mercado, gerando um efeito cascata que culminou com a inflação atingindo índices acima da meta e o país ameaçando entrar em recessão.

Isto seria menos problemático se ao menos o seu governo fosse humilde o suficiente para reconhecer os erros de estratégia e buscar novos caminhos. Infelizmente, Dilma e sua equipe fazem questão de afirmar a todo o momento que o país está bem. Mais do que isso: ao invés de reconhecer suas deficiências, culpam a crise mundial — logo agora que praticamente todos os países estão saindo dela ou até mesmo já se reabilitaram — além do famoso “pessimismo” do mercado, entre outros fatores convenientemente abstratos. A culpa sempre é dos outros.

Em linhas gerais, Dilma precisa preencher a sua propaganda eleitoral com mentiras e números maquiados justamente porque não existem boas notícias suficientes sobre o seu governo para sustentar a candidatura. Seus feitos como presidente são tão insuficientes que não é raro ouvir o famoso “Lula e Dilma”, “Dilma e Lula” em sua campanha, numa jogada para tentar fazer a atual candidata surfar nas conquistas do ex-presidente e ganhar um pouco mais de crédito.

Vale dedo no olho, o que não vale é mão na consciência


Dilma recebeu um Brasil bem administrado por 16 anos e mesmo assim não foi capaz de promover avanços significativos para melhorar o país. Muito pelo contrário: seus erros põem em risco as conquistas dos governos de Lula e FHC. Ameaçam a fazer o país andar para trás. E é por isso que a sua campanha eleitoral é tão apelativa. Não há boas notícias. A falta de conteúdo em suas propagandas reflete diretamente o fracasso de Dilma como presidente.

Esse é o nível de argumentação estimulado pelo PT.

Falar sobre a saúde? Não dá. SUS já perdeu quase 13 mil leitos desde o início do seu mandato.

Educação? Nosso país atualmente é o antepenúltimo no ranking mundial da qualidade de ensino. Também não dá.

Economia? Crescemos menos que o mundo inteiro, praticamente. Não dá para falar disso também.

Segurança? Quebrando récordes de homicídios. Também não dá pra tocar nesse assunto.

Se não há motivos suficientes para avalizar a própria candidatura, poucas são as alternativas disponíveis para manter vivas as chances de vitória nas urnas. Resta tentar maquiar a realidade, para que as coisas pareçam menos ruins do que realmente estão. Resta demonizar os adversários, para que eles pareçam piores do que ela. Resta amedrontar o eleitor através de ameaças covardes.

Se a candidata é naturalmente desqualificada para o cargo que almeja, resta tentar desqualificar o adversário, para tentar equilibrar a balança. Ou seja, resta jogar sujo, fazer o eleitor de bobo.

Uma das pérolas mais populares produzidas pela militância. Você pode conferir o post original aqui e um parecer sensato sobre os fatos aqui.

Em questão de resultado, sem dúvida, é uma abordagem que funciona. O fanatismo da militância e a desinformação geral criam um ambiente perfeito para a disseminação e a manutenção de mentiras na internet. É desse ambiente que surge a grande massa de alienados que não questiona, simplesmente aceita o que é dito. É nesse ambiente que a militância, seja por ingenuidade ou má fé, se encarrega de apoiar, potencializar e espalhar as calúnias que a campanha deseja.

João Santana, coordenador da campanha de Dilma, é um marqueteiro muito inteligente. Sabe exatamente como as coisas funcionam, e por isso, se tornou um grande entusiasta deste tipo de estratégia. Com apenas um punhado de palavras distorcidas, consegue cativar um exército de torcedores fiéis que prontamente se dispõem a fazer investidas contra os adversários. Um exército sem identidade, que não pensa com a própria cabeça, não possui convicções. Um exército que faz parte de um bloco e pensa como um bloco. E por isso é facilmente manipulável e cego à realidade.

Essa tática, até certo ponto, pode ser extremamente eficiente — ou até mesmo genial. Mas ao mesmo tempo é ridiculamente suja e desprezível. Cá por nossas terras, o meio político nunca foi dos mais limpos. Por isso, este tipo de prática não surpreende — o que realmente me surpreende é ver tanto peixe caindo na rede.

Se você é petista, provavelmente leu cada linha deste texto com um olhar de descrença, suspeitando da minha imparcialidade. E isso é ótimo. É exatamente assim que deve ser. Se você leu desta forma, leu do jeito certo.

Melhor ainda seria se você fosse descrente não apenas com as informações compiladas aqui, mas com tudo — até mesmo com o discurso do seu partido. Porque, como todos já deveriam saber, a mentira ganha pernas bem longas a cada 4 anos.

E aí, bora ler tudo do jeito certo, daqui pra frente?