Até quando você não olhará em meus olhos?
Quantas vezes terei que cair sobre meus joelhos?
Até quanto você não será descente como gente?
Quantas horas terei que passar regando essa semente?
Você não faz caso do meu caso, pérfida criatura.
Eu chamo, eu clamo, eu amo, e você só me ignora.
Aventura sua, desventura minha, é essa a hora
Em que me viro ao avesso, arrepio, desmoreço.
E te esqueço.
Você é bruta, não me deixa nem a luta na qual acredito.
Você me refuta, me vira o pescoço e nem mais me desfruta.
Eu não quero mais suas curvas, suas ideias nem sua fruta
Sua maluca.
Desse caroço entalado não respiro, não há espaço nem fruto.
Esse suco enlatado não me é saudável, me deixa de luto
Quantas sementes tenho que regar para descer esse caroço.
Não desce, meu osso solta, meu poço afunda e você
Ainda é fuga.
Não quero a razão, prosa ou poesia
Quero, na minha casa, você de volta
Volta da sua revolta, minha menina,
Faça a sua glosa.
Eu quero ar, eu quero ar, eu quero respirar
Pare de atirar na ferida de seu pelego
Deixe sua voz florida comigo cantar
E encerre, querida, todo esse desapego
Me rasgue, me coma, me degluta, me deixe ser
Um pouco de você.