Matheus Fonseca
Aug 26, 2017 · 1 min read

Até quando você não olhará em meus olhos?

Quantas vezes terei que cair sobre meus joelhos?

Até quanto você não será descente como gente?

Quantas horas terei que passar regando essa semente?


Você não faz caso do meu caso, pérfida criatura.

Eu chamo, eu clamo, eu amo, e você só me ignora.

Aventura sua, desventura minha, é essa a hora

Em que me viro ao avesso, arrepio, desmoreço.

E te esqueço.


Você é bruta, não me deixa nem a luta na qual acredito.

Você me refuta, me vira o pescoço e nem mais me desfruta.

Eu não quero mais suas curvas, suas ideias nem sua fruta

Sua maluca.


Desse caroço entalado não respiro, não há espaço nem fruto.

Esse suco enlatado não me é saudável, me deixa de luto

Quantas sementes tenho que regar para descer esse caroço.

Não desce, meu osso solta, meu poço afunda e você

Ainda é fuga.


Não quero a razão, prosa ou poesia

Quero, na minha casa, você de volta

Volta da sua revolta, minha menina,

Faça a sua glosa.


Eu quero ar, eu quero ar, eu quero respirar

Pare de atirar na ferida de seu pelego

Deixe sua voz florida comigo cantar

E encerre, querida, todo esse desapego

Me rasgue, me coma, me degluta, me deixe ser

Um pouco de você.

)
Matheus Fonseca

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Se critico demais é por insatisfação. Essa é mais bela escrita que falada. Aqui está.