Quem é Brasileiro?
Quem é brasileiro? Quem samba, bebe e marca gol? Ou Vargas, pai dessa mentalidade? A Voz do Brasil é tão canônica? Eu gosto de beber, já gostei de jogar bola, especialmente no 1 a 1, e foi-se meu tempo de carnaval. Mas o do Brasil, ainda não. O povo bebe, o povo samba, o povo bate-bolas, sem ser jogo rápido. É uma pelada bêbada constante, com times inerentes, sem juiz. Perder o tempo falando de Sartre? Toma gol à toa. De Nietzsche? Bolada na cara. De Dostoiévski? Cartão vermelho, vai pro banco deixar de ser trouxa. Não tem juiz. Mas é unanimidade. Os que sabem não julgam e os que julgam não sabem: um viva à democracia.

Quem é brasileiro? Seriam os democráticos defensores da igualdade, que juram liberdade? Ou seriam os contraditórios, posto que pensam? Gregório Duvivier, cujos textos formam uma coletânea d’O Manifesto Comunista do século XXI sem informação alguma, apenas revoltas de um menino rico; ou Paulo Francis, cujo Trotskismo brasileiro ativo transformou-se em Direita de Manhattan, de onde criticou o “totem” tupi, Caetano Veloso? Visto que o não polêmico é abraçado pela nação, Duvivier sintetiza a brasilidade.
Brasilidade inventada por Caetano? Exposta, hoje, por quem come Caetano e regurgita Bossa Nova? Caetaneando tudo que é bom, de Calcanhotto a Djavan? Bossa Nova-Indie-Tropicalista-Indígena-Sambotrônica? Aquela dos “cultos” de vocativo silencioso? Acho que é essa. A nova-guarda policultural, guardada pela razão dos amigos. Se der bandeira, o todo poderoso pajé, não mais maltrapilho, dirá que o que ocorre é a continuação do Tropicalismo. Um movimento que não morreu, visto que nem nasceu. Continuação da Semana de Arte Moderna de 22. Já deu Bandeira. Já deu Caetano. Já se deu seu movimento, no planalto central do país?
Ou será que o povo é o Ilê Aiyê e os índios? Salve Caê? Ou quem está no planalto central do país? Salve Caê? Ou os portugueses argonautas? Salve Caê? Ou os bichos? Salve Caê? Caê quer ver o Ilê Aiyê passar por aqui. E índios, e políticos, e Drummond, e Pessoa, e borboleta, e Camões, e tigresa, e novelas, e Tieta, e filmes, e leãozinho, e colunas, e gente, e crônicas. Caê pegou todo o auê para ele. Quem mais pode passar por aqui?
O pajé é poeta, mas não é intelectual. Não tenha medo da mídia, não tenha medo do Rei, não tenha medo da morte, posto que o Brasil já morreu. Como a “revolução” do totêmico, quase nasceu, mas morreu. O gol já foi tomado e já fomos expulsos de campo. E eu ainda gosto da bebida. Um viva ao cachorro engarrafado, um viva à Romaria, um viva à ruiva irreverência, um viva ao Frevo Mulher, um viva à luz dos olhos verdes na luz dos olhos meus: eis nossa construção de aquarela. Arrombe a festa.