Geek Acéfalo Motorizado — Parte I

A gente faz cada coisa né? Bom, ao menos serve de história.

Eu já morava sozinho em 2002, num bairro da periferia de São Bernardo do Campo. Tinha uma moto 125cc e trabalhava em uma loja de informática na Av. Jacutinga (ahaahah isso mesmo), em Moema.

Isso aconteceu após uma noite frustrada ao tentar atualizar o Windows XP via conexão discada. Dá o play aí:

Nesta manhã, eu percebi que a água da geladeira estava com um gosto estranho. Assim que eu bebi o primeiro copo, percebi que meu cérebro tinha evaporado.

No meio dessa ausência de poder de processamento, eu tive a brilhante idéia de levar meu computador de moto para o trabalho. Amarrei ele com cordas e elásticos no banco do passageiro e mandei ele passar as mãos ao meu redor, como faria qualquer bom garupa.

Ele não me respondeu. Temperamental, não discuti.

Maravilha, vamo que vamo, todo feliz e pimpão atualizar o computador na super-hiper-mega banda larga da loja, de 1Mb!! Acredite, isso em 2002 representava algo como ter a capacidade de dobrar o tempo e o espaço. #hiro

Saí da Rodovia dos Imigrantes e, imaginando que eu estava pilotando minha própria X-Wing, cheguei à avenida Indianópolis.

Vale um adendo aqui: 4 semanas antes disso, eu tinha comprado um capacete aberto, os chamados peruzinhos, parecido com esse aqui:

Ele tinha uma viseira que cobria o rosto todo. Mas eu gostava de andar com ele aberto mesmo, sentir a liberdade e o vento na cara, Wild Life Style. [ahahahh patético]

Fui seguindo, desviando dos carros, como todos os dias.

Percebi que o semáforo ficou amarelo e o carro da minha frente, um Palio Branco, acelerou para poder passar. Eu fiz o mesmo.

Ele desistiu e freou. Eu não. Cenas verídicas*:

*carece de fontes

Por uma fração de segundos eu imaginei que poderia saltar por sobre o carro, mas assim que a moto colidiu com a traseira do veículo, meu corpo inteiro se projetou na direção do vidro, que eu resolvi bater com os dentes.

Bom, o motorista chegou todo irritado brigando comigo:

“Cara, você tá maluco e…” — foi quando ele olhou pra mim, pálido… ficou mudo por uns dois segundos.

Eu comecei a perguntar o motivo que levou ele a desistir de passar no farol amarelo (como se fosse preciso alguma justificativa pra isso) enquanto a camisa branca dele ía ganhando manchas vermelhas.

“Cara… pega o espelho do chão e se olha…” — Foi o máximo que ele conseguiu dizer, ainda atônito.

Quando eu peguei o espelho, eu estava completamente rasgado, lavado de sangue, dente quebrado, gengiva cortada, um desastre.

Obviamente minha pressão baixou e tudo ao meu redor foi escurecendo, como se eu estivesse no carrinho que levou o pessoal pro mundo da Caverna do Dragão.

O cara foi super gente boa comigo. Como a moto ainda andava, ele me escoltou até a loja, onde eu deixei os restos do meu computador (que voou e bateu de frente com um caminhão), e uma trilha de sangue.

Fomos até o Hospital Alvorada da Ibirapuera. Ele seguiu para seu trabalho e eu adentrei a recepção do pronto socorro.

E aqui começa a parte maluca. Sim, piora.