Música enquanto instrumento pra viajar no tempo

Aqueles momentos que uma música te transporta pra outras memórias, outros mundos e outros lugares.

Meio de tarde de uma sexta feira qualquer, o shuffle trazendo algumas músicas ignoráveis, mas eficientes o bastante para preencher o plano de fundo do cérebro enquanto ele trabalha em algo mais importante.

Silêncio entre uma faixa e outra.

[…] 🎶

Iniciam-se então as notas da introdução de uma música que não só não é ignorável, mas que de tão memorável me transportou de onde eu estava para o exato local onde eu a escutei anos atrás.

Foi um viagem tão real que eu praticamente podia sentir os cheiros do lugar, o desconforto de onde eu estava sentado que eu deliberadamente ignorei por estar tendo um momento bom. Um momento feliz. Dane-se o incômodo.

Um passado tão presente em uma memória que eu sequer lembrava que existia. Como se aquele momento estivesse guardado em uma caixa, à chaves. E a música fosse o segredo pra abrí-la.

Um conjunto de imagens e sons e cheiros e sensações, estampados em um dado instante do tempo e espaço.

Naturalmente eu sorri de lembrar do meu sorriso, e me disse mentalmente coisas que eu gostaria de ter ouvido naquela época, como quem quer colocar uma cereja em cima do bolo.

Depois de milhares de minutos mentais, que se passaram em um piscar de olhos, voltei para o meio de tarde de uma sexta feira qualquer, e agora aquela mesma música criava uma nova marca no tecido temporal.

Quem diz que não existe viagem no tempo desconhece o poder de uma música bem feita num momento perfeito.