lombra torta, pt. 1

Depois de entrar em um embate que acaba em assassinato com um parente do traficante local, Matheus se vê em um beco sem saída dentro de casa e pensa em maneiras de conseguir sair de casa em segurança, mesmo percebendo que os capangas do tal traficante assistem todo e quaisquer movimentos seus e o perseguem.

Perdido dentro da própria casa e quase sem esperanças, ele se vê pensando em como livrar-se das mãos de Tatinão, o chefe do tráfico em seu bairro. Ele começa um diálogo com seu tio, esperando aparecerem boas ideias.

  • Porra, eu fiz um bem a essa galera, me livrei daquele imundo que ameaçava todo mundo e batia na mulher!
  • Não, você o matou por estar bêbado em uma discussão, isso nunca seria bem visto por ninguém, principalmente dentro desse lugar, tu sabe.
  • Mas é foda, eu tentei evitar ao máximo essa situação, o cara tava com uma faca apontada pra mim, era matar ou morrer.
  • Eu sei, mas tu acha mesmo que o resto da nêgada se preocupa com isso?
  • É, se preocupa com carai nenhum, ninguém tá nem ai mesmo.
  • Pois é, tu tem é que arrumar um jeito de se entregar pro zômi sem sair na rua pra não acabar tendo o mesmo destino que o condenado que tu furou e matou.
  • Ó o doido, eu vou é arrumar um jeito de sair daqui sem precisar passar por isso.

Em um súbito fluxo de consciência, nosso herói vem em busca da ajuda de seus amigos por meio da internet, mas acaba recebendo o mesmo tipo de resposta mas segue obstinado, à procura de uma maneira de sair de casa sem precisar passar no IML mais próximo. Ele acaba descobrindo depois de horas ininterruptas de pesquisa virtual maneiras de revidar os capangas de Tatinão, que no momento fazem um pequeno cerco na sua casa.

Dos materiais que ele tem em mãos só encontram-se em sua casa uma faca, álcool e um velho revólver .38 que seu tio ex-policial deixou como herança em sua casa após se aposentar. Mesmo com tão poucos itens, Matheus pensa em revidar e tentar dar um pouco de paz a sua família, mesmo que a paz seja proveniente de um embate com Tatinão e seus capangas. Dessa vez, sem conversar com seu tio ou dar algum aviso prévio, ele resolve dar uma volta no bairro e ver quantos fazem cerco em sua casa e quantos estão na rua a perseguir seu tio à idas na padaria ou ao Zé Maria, mercadinho que fica no fim de sua rua.

Logo ao sair de casa, ele se depara com três em sua porta, um deles sendo conhecido um conhecido do bairro, que se chama Daniel Caroço.

Daniel, pensando ter alguma intimidade com Matheus, tenta começar um diálogo.

  • Tetheus, mah, tu vai rodar, é melhor tu ir logo no Tatinão e pedir desculpa pra ver se ele num te perdoa
  • Macho, como é que perdoa? Eu furei o Come Barro, mah, é foda, eu tô lascado.
  • Mas se tu for lá ele pode mudar de ideia, sei lá, só pedir uma ponta pra tu.
  • Que ponta, Caroço? Eu tô liso, macho, vou acabar é levando um tiro na cara.
  • Tu quem sabe, mas eu acharia melhor tu chegar no bicho e dar o toque que foi um vacilo, que tu tava melado e tal.
  • Macho, sai de perto, eu vou ali comprar um recheado e vou pra casa.

Ao perceber o clima de animosidade, Daniel se afasta e vai confuso ao encontro dos outros dois que faziam o cerco da casa, avisando a eles que o mesmo estava impassível e não mudaria de ideia tão fácil assim.

Na volta, eles o acompanham a sua residência e o fazem perceber que ali existe uma chance de reagir de se livrar de pelo menos esses três capangas que ficam nos arredores de sua casa. Entrando em sua residência, vai diretamente de encontro ao seu tio e pede pra ele ver quantos estão nos arredores para além da casa, fala pra ele dar uma volta nas ruas, fingindo ir a casa de algum conhecido ou comprar alguma coisa para não levantar muitas suspeitas. Seu tio concorda, assim dando início ao plano de Matheus para conseguir terminar o que tinha começado com Come barro, seu azarado primeiro embate, ele tentará a todo custo se livrar das garras de Tatinão e sua trupe, para assim livrar sua pele das mãos da polícia e do vingativo traficante.

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