A covardia do voto

O processo eleitoral teve seu ponto positivo ao fomentar o debate de qual projeto de cidade queríamos para São Gonçalo. Diante das possibilidades [limitadas é claro] cada um de nós tomou a decisão. Nada de novo. A cada 2 anos fazemos esse movimento. A questão maior é que já algum tempo temos visto um movimento de “futebolização da política” [ https://goo.gl/CB242B], com isso, meu candidato passa a ser o único, o salvador, o soberano e nenhum outro deveria sequer se colocar próximo dele e nenhuma outra pessoa tem o direito de falar mal dele. Isso é sintomático em uma sociedade onde as eleições são o único momento de participação política.

No segundo turno a coisa piora. Todos os desejos, potencialidades e sonhos são colocados contra duas opções que nada tem a ver com o que você depositou [ou não-depositou] na urna há algumas horas atrás. Nesse momento, a única opção é se posicionar. Escolher um dos lados da polarização. Optar entre um ex-secretário de Cabral/Pezão/Dornelles, ligado aos grupos políticos carcomidos da cidade e um aventureiro, ex-secretário de Mulim, que enquanto vereador não apresentou nenhum projeto e sequer discursou em plenária. Com isso, o voto, direito democrático, torna-se ato de covardia daqueles que escolhem o “menos pior”, apenas porque “alguém será eleito”.

Lembrando de um artigo que li [ https://goo.gl/RK9uRS], o não-voto é um sintoma de que as opções colocadas já não contemplam as necessidades de participação. Porém, para os políticos tradicionais [e aqueles que seguem suas narrativas] , se abster torna-se ato dos puristas ou dos omissos [afinal um dos dois será eleito com ou sem o seu voto], sendo a atitude da indiferença e da omissão, de perda da oportunidade de mudar a cidade, da negação da participação. E assim o mito do não-voto segue com sua capilaridade.

Como já coloquei algumas vezes, espero que o não-voto tenha uma vitória tão esmagadora que o próximo prefeito tenha vergonha de se declarar como tal. Que todas as vezes ao entrar em seu gabinete, lembre-se que foi eleito por cerca de 20% do eleitorado e que os outros 80% não o consideram apto a estar ocupando aquele espaço. Que ele tenha tanta vergonha, que não compareça a nenhum desfile de 22 de setembro [assim como Temer não participou das Olimpíadas]. O não-voto passa aqui a tornar-se um ato de rebeldia e subversão, contra as figuras que se apropriaram [indevidamente] da cidade.

Diante de um cenário tão melancólico, pobre de ideias e medíocre de ações, o papel protagonista nos próximos 4 anos deve ser dos indignados, dos inconformados, daqueles que não se renderam ao “menos pior” ou as facilidades das estruturas de poder. É preciso de um grupo disposto a discutir propositivamente a cidade, apresentando caminhos e soluções. Um grupo que em 2020 apresente uma alternativa real ao jogo sujo da política e sua tara pelo poder. Que possa bater no peito e dizer que não se rendeu e nem se vendeu, sendo única alternativa aos 80% que se negaram a participar desse teatro macabro.

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