A Lava Jato e as candidaturas outsiders: o que esperar em 2018?

Depois da Lava Jato terreno fica fértil para quem não estava na política

Todos nós estamos sendo bombardeados cotidianamente com informações da Lava-Jato. A última ação bombástica tem relação com a Lista de Fachin, onde oito ministros, 63 congressistas e três governadores passaram a condição de investigados no STF. Isso, sem contar os outros cinco governadores e diversas lideranças partidárias do PT,PMDB e PSDB que serão investigados por instâncias menores. Diante da queda dos políticos tradicionais, já há em curso uma movimentação para colocar Lula como o candidato do establishment, em aliança com os grandes partidos, incluindo o bloco demo-tucano. Lula seria escolhido por ser uma liderança carismática capaz de suportar os ataques vindos da mídia e do judiciário, já que o prazo para torná-lo inelegível está cada vez mais curto.

São Sebastião recebendo a visita de correligionários

Com a casta política em ruínas, uma nova polarização parece que irá tomar conta da disputa em 2018. Se antes éramos obrigados a escolher entre os irmãos siameses PT/PMDB e PSDB/DEM, o cenário que se aproxima será de candidaturas investigadas e não-investigadas pela Lava-Jato. Se do lado dos investigados, a coligação em torno do nome de Lula parece quase certa, do lado dos não-investigados, os outsiders vem se pulverizando, sem sabermos quem chegará com condições de ir ao segundo turno com o ex-presidente. Com isso, deixo aqui algumas provocações em torno dos possíveis outsiders que teremos ano que vem:

OS OUTSIDERS

Marina Silva é o nome mais consolidado dentre os atuais. Apesar de não exercer nenhum cargo público desde 2009, quando deixou o Ministério do Meio Ambiente por divergências com o então governo, Marina esteve nas últimas duas disputas presidenciais, fazendo com que seja incluída no hall dos políticos tradicionais por uma parcela da sociedade. A REDE não conseguiu emplacar suas candidaturas às prefeituras no ano passado, o que pode dificultar bastante que Marina avance além dos 20% das últimas duas eleições.

Jair Bolsonaro tem aparecido como a terceira força nas últimas pesquisas realizadas, flutuando na casa dos 10%. Bolsonaro que é deputado desde a década de 1990, sem ter aprovado qualquer projeto seu [sic], irá surfar não só na onda da questão ética, já que seu nome e nem de seus filhos políticos profissionais aparecem ligados a casos de corrupção, como também na questão da (in)segurança pública e na pauta dos costumes.

De gari à prefeito: um empreendedor de sucesso

João Dória tem se tornado conhecido cada dia mais nas redes sociais do Brasil inteiro. O prefeito de São Paulo foi eleito em primeiro turno com o discurso de ser um gestor e um não-político. Sua gestão tem sido elogiada por diversos segmentos, com ampla cobertura midiática e maior índice de aprovação da história da cidade. Contudo, Dória não se apresenta como pré-candidato, pois sabe que o PSDB já possui outros dois pré-candidatos na lista de espera: Alckmin e Serra.

O PSOL já se consolidou como o representante da esquerda brasileira no meio institucional, porém, o representante do partido é quem irá dizer se o PSOL se coloca ou não como um outsider. O nome mais ventilado até agora é o de Chico Alencar, que está em seu quarto mandato. Chico tem ligação intrínseca com o PT tendo apoiado o ex-partido em todas as oportunidades, inclusive aderindo ao mantra do golpe. Caso seja mesmo o candidato, o PSOL perderá a oportunidade de se apresentar como uma alternativa real.

O NOVO foi fundado em 2015 e vem conquistando um público cada vez maior, principalmente entre as redes sociais. O partido elegeu quatro vereadores nas capitais no ano passado, demonstrando que tem potencial de crescimento. O discurso liberal do NOVO tem conseguido atrair eleitores de espectros distintos como aqueles que votavam no PSOL por uma questão ética, e aqueles que votavam no PSDB por falta de uma opção ideológica melhor.

OPINIÃO

Futura presidente do Brasil

Acredito que o nome de Marina já esteja bastante desgastado diante do cenário onde a diferenciação entre os políticos envolvidos e não na Lava Jato é quase nula por parte da sociedade. A REDE tem um bom potencial de crescimento no legislativo e Marina poderia fazer parte disso. Enquanto aposta, gostaria de ver um bloco formado por REDE/PSB/PPS/PV/PPL apresentando um nome completamente outsider, com Marina sendo sua acompanhante principal em comícios e atividades. Porém, do ponto de vista pragmática é difícil imaginar deixar de fora uma candidata com 22 milhões de votos consolidados.

Apesar do crescimento cotidiano de sua pré-campanha, Bolsonaro enfrentará muitas dificuldades para consolidar seu nome como competitivo, sendo a principal a escolha partidária. Diante do consenso dos grandes partidos em torno de Lula, o deputado terá que se alojar em um partido pequeno, significando pouco tempo de TV e recursos escassos. Mesmo com o excelente uso das redes sociais que tem feito, há uma limitação para seu avanço, pois esbarra na falta de um programa concreto para o país.

Dória tem a maior probabilidade de ser eleito. Sua candidatura também esbarra na questão partidária. Mantendo-se no PSDB, terá enormes dificuldades para convencer os caciques em ser o representante do partido que já tem Alckmin como pré-candidato. O cenário só mudará caso Alckmin e Serra, o plano B, sejam relacionados diretamente na Lava Jato, um cenário possível, mas ainda distante. Sendo candidato tucano, ainda terá que carregar o peso de ser do terceiro partido mais citado na investigação. Um cenário de Dória fora do PSDB esbarra nas mesmas dificuldades que apontei para Bolsonaro.

O PSOL é líder em fazer escolhas eleitorais ruins. Chico Alencar ser o seu atual pré-candidato é mais uma prova. Chico nunca deixou de ser petista e não disputará nenhum voto novo além dos 1% ou 2% já consolidados pelo partido. O ideal para o partido seria escolher um nome que não tivesse aderido ao mantra do golpe, como a Luciana Genro por exemplo, podendo assim disputar os eleitores que não querem votar em Lula e nem nos candidatos “da direita” [sic].

O NOVO é a minha grande aposta, porém a médio/longo prazo. Possuí ainda uma estrutura muito limitada e que, por enquanto, só encontra respaldo dentro de uma classe média empreendedora. Porém, conseguindo eleger uma boa bancada no ano que vem, tem totais condições de, a partir de 2022, ocupar o espaço que será deixado pelo bloco demo-tucano, enterrados pela corrupção.