Por que crentes causam asco?

Sempre frequentei a margem da cultura. Nunca me adaptei ao curso normal do rio…sempre fiz paradas nos seus afluentes. E nesse meio é onde se encontra a maior quantidade de pessoas com erudição mediana/alta. Erudição aqui, entenda-se, é somente o uso correto da vírgula. Nada muito elevado.

São todos de personalidade atípica, e talvez pelo sofrimento interno, digam aos 4 ventos que lutam pelo pobre, pelo negro, pelo oprimido e qualquer tronco que se acumule no curso d’agua. Todo e qualquer graveto, menos um tipo.O engajamento em defesa das minorias é lacunoso e seletivo por não ter experiência prática com o sofrimento. Nem contato com a dificuldade em sua forma materializada. Apesar de genuína e real, depressão não é fome; síndrome do pânico não é assalto; etc…

Por não conhecerem o verdadeiro povo sofrido, aquele que range os dentes, não incluem na sua defesa os evangélicos. Cegos pela fumaça da maconha, esquecem completamente que existem mais igrejas pentecostais em favelas do que qualquer outro segmento religioso. Esquecem da sua empregada doméstica que lava os pratos e que tem o cabelo pra baixo da cintura. Não enxergam que as igrejas tem percentual maior de mulheres do que de homens. Se recusam a ver que existem mais negros e pardos usando paletó do que roupas brancas num centro de umbanda. São os primeiros a defenderem deliquentes, mas não se importam com o trabalho que as igrejas realizam em penitenciárias na hora de atacá-las. Englobamos mais minorias do que qualquer reunião da UNE. Mas nada disso é efetivo.

Olho com saudosismo quando quem questionava o status-quo nos via no mesmo barco. Manobrown já disse:

Ore por nós pastor, lembra da gente
 No culto dessa noite, firmão segue quente
 Admiro os crente, da licença aqui
 Mó funçao, mó tabela, pow, desculpa ai

E a repugnância pelo meu povo sempre vem explicada pelo moralismo aponta-dedo dos crentes. Mas é mentira. Garanto que em parte é porque falamos alto, não temos as melhores vestes, não nos comportamos como a elite e não temos escolaridade. Mas a outra parte é capricho de gente mimada. Em Roma o júbilo de ser jogar crentes aos leões não foi porque eles pregavam o fim dos festivais a Baco, mas por simplesmente não compactuarem das orgias. Guerra cultural era o que se passava lá e é o que acontece hoje.

O mais interessante é que apesar do termo crente ser praticamente uma designação para uma etnia, não somos vistos como grupo sociais e não nos comportamos com a mesma histeria. Imagine que estúpido seria ver um cartaz em uma manifestação na Paulista com os dizeres “QUERO USAR PALETÓ NUM PAÍS TROPICAL SEM SER JULGADO”. Mas um homem querer usar roupas femininas é um valor sacrossanto a ser defendido.

A perseguição e ridicularização nos aflige da mesma forma que as demais páreas da sociedade sofrem. A diferença é que em primeiro lugar o nosso Deus nos alertou que por amor ao Seu Nome seríamos perseguidos. Em segundo lugar é porque o ambiente religioso colabora na supressão de distorções da realidade. Isto acontece porque as tradições religiosas sempre ensinaram o domínio das emoções. O amargor é superado e se prossegue sem muitas incompatibilidades com a realidade. Sem esse filtro dá-se lugar a afetações e sentimentos não genuínos, porem inflamados. O resultado disso é por exemplo o descompasso que é uma pessoa sentir compaixão por um ruminante, ao passo que almeja ver fetos humanos serem mortos.

Eu só rogo que vocês não nos vejam com essas escamas sobre os olhos. Entendam o Deus que nós servimos. O Único e Verdadeiro. Que nos ensinou o amor e que me gerou para falar com vocês, o meu círculo social.

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