Mês marcado majoritariamente pelos filmes que vi no FAM (Festival de Audiovisual do MERCOSUL), tantos os curtas como os longas, além de alguns poucos filmes do BADESC, dois do circuito comercial e alguns que vi em casa.
158. Violência Gratuita (2007) — ***
160. Além do Azul Selvagem (2005) — **
164. O Homem do Prego (1964) — *****
165. O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça do Electro (2014) — ***
166. Império do Sol (1987) — **
167. Praia do Futuro (2014) — ***
168. Borat: O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América (2006) — ***
169. X-Men: Primeira Classe (2011) — **
170. The Libertines: There Are No Innocent Bystanders (2011) — ****
171. Vocês Ainda Não Viram Nada! (2012) — ****
172. El Manto de Hiel (2014) — *****
173. Rincón de Darwin (2013) — ****
175. A Oeste do Fim do Mundo (2013) — ****
176. El Lugar del Hijo (2013) — *
Meus filmes favoritos de maio foram, sem dúvida, O Homem do Prego de Sidney Lumet que gostei tanto que tive que escrever sobre o filme (aqui); El Manto de Hiel, filme argentino de Gustavo Corrado, que também escrevi sobre (aqui, junto com A Oeste do Fim do Mundo, que gostei bastante); Riocorrente, filme brasileiro atual, de Paulo Sacramento, que vejo como o novo O Som ao Redor; e Stalker, do Tarkovsky, impressionante pela fotografia e pelo ambiente “criado” para a execução do filme, além de suas consequências.
A versão americana de Violência Gratuita, apesar de ter sido gravada plano por plano, exatamente igual a versão alemã (ambas dirigidas pelo Haneke), não é tão boa como ela. Há atores que admiro, como o Tim Roth e a Naomi Watts (e até mesmo o Michael Pitt), mas a falta da presença perturbadora de Arno Frisch é decisiva. Teorema, do Pasolini, me impressionou bastante a ponto de eu baixar quase todos os filmes dele para um dia assistir e conhecer mais sua filmografia. É um diretor que vale bastante a pena. Além do Azul Selvagem é mais uma viagem do Herzog, com direito a um roteiro mirabolante, um protagonista que exagera em quebras de quarta parede, exploração visual típicas dele, mas é um filme que creio não ser essencial na carreira do diretor. Slipstream, dirigido e atuado por Anthony Hopkins, é um vórtex de alusões literárias e cinematográficas, desde a Edgar Allan Poe a Taxi Driver, e com uma crítica sutil aos modelos de indústria cinematográfica, principalmente Hollywood. A montagem do filme lembra bastante a de Assassinos por Natureza.
Pollock, atuado e dirigido por Ed Harris, mostra a vida do pintor norte-americano Jackson Pollock, um beat das telas e tintas, que regava a vida com muito álcool e espasmos de criação artística. Boa atuação de Harris, mas achei que a direção poderia ter explorado mais os limites entre cinema e pintura, fosse metaforicamente ou na própria fotografia do filme. Tubarão, clássico do Spielberg, época em que o diretor ainda (?) conseguia explorar o metier de cineasta de uma forma respeitável; filme incrível no que tange tanto técnica, como construção de suspense e efeito especial. O Espetacular Homem Aranha 2, assim como todas as novas franquias de super heróis, são investidas desnecessárias, no meu ponto de vista, que só se concretizam a fim de arrecadar e ratificar público e dinheiro. O filme diverte, todavia. Outro do Spielberg, Império do Sol é o típico filme do diretor que me aborrece; é impressionante o ar melodramático que Spielberg consegue criar, sendo piegas e chato, apesar da atuação brilhante de um jovem Christian Bale.
Praia do Futuro, novo filme de Karim Aïnouz, está causando polêmicas, apesar do filme ser bem mais do que um drama de um casal gay. Ainda sou um espectador que não consigo acompanhar a poética cinematográfica de Aïnouz, o que me faz crer que não sou fã do estilo do diretor. Praia do Futuro é um filme com incrível abordagem temática, mas me parece vago, vazio, a mesma sensação que tive depois de ver O Abismo Prateado, filme que (pode) arrebata(r) qualquer um emocionalmente, mas parece faltar algo em seu fim. Borat, do incrível Sacha Baron Cohen, é uma das grandes comédias pós-2000. X-Men: Primeira Classe, outro filme de super herói que mantenho meu posicionamento, mas nesse caso adiciono a minha principal incomodação em filmes do gênero: clichês; sejam eles de criação, dos EUA como grande potência salvadora do mundo e a Segunda Guerra Mundial como ponto de partida (apesar de praticamente toda história de super herói nascer assim, acho), o Primeira Classe traz bons atores como o Michael Fassbender e o James McAvoy, mas os demais heróis são chatos e aleatórios.
O documentário da banda inglesa Libertines, There Are No Innocent Bystanders, funcionou como um grande catalisador de nostalgia para mim, como fã da banda desde 2004 mais ou menos. O documentário mostra a re-união dos integrantes para shows emblemáticos, como o Leeds, além de ter depoimentos dos membros, assim como uma revisitação da carreira deles. Vocês Ainda Não Viram Nada! do finado Alain Resnais é tudo isso que o título indica, um filme de gênio. Rincón de Darwin, que vi no FAM, é uma comédia road movie ou um road movie cômico que vale bastante a pena. Ótimo roteiro e diálogos. Por outro lado, La Paz, apesar de sua temática, é um filme que cansa e é fraco, tanto em direção, como roteiro e montagem; as atuações são até relevantes, no entanto. El Lugar del Hijo é um filme que não posso considerar bom uma vez que conheço a existência de Depois de Maio.
Riocorrente é um filme que indico totalmente. Foi o filme que fechou a programação do FAM e que provocou vaias e desgoto por parte da plateia, ele funciona como uma crítica bem construída em relação a classe média e a pobreza ao redor dela. Cenas de sexo, roubo, violência, pobreza, vingança: tudo aquilo que aqueles de um lugar privilegiado na sociedade tem medo. Riocorrente é a prova de uma tendência que se tem visto nos últimos anos nos filmes brasileiros, marcando de forma saliente a psicologia da classe média de nosso país. Stalker, clássico russo, é um filme que demandaria horas para ser escrito e debatido, mas acho que o trailer do filme (que traz cenas e imagens indescritivelmente fodas) é um ótimo chamativo. Leviathan foi cotado como um dos melhores filmes de 2013 em algumas revistas especializadas (conferindo não achei grande coisa, mas seu estilo é instigante), é um documentário nu e cru do quotidiano de uma tripulação que trabalha com peixes.
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