Rascunhos sobre o corpo

O corpo como execução do direcionamento imposto pelo mundo

O corpo como janela do mundo

O corpo como única janela do mundo

O corpo como intermédio ser/mundo

O corpo como e pelo ser no mundo

O corpo como casa da experiência

É preciso voltar às coisas mesmas (Husserl)

A relatividade do conhecimento é o fenômeno. Nosso corpo é aquilo que recebe o fenômeno e o experiencia.

Apreendemos pela consciência aquilo que nos aparece é aquilo mesmo

O que Nós Vemos das Cousas São as Cousas
O que nós vemos das cousas são as cousas.
Por que veríamos nós uma cousa se houvesse outra?
Por que é que ver e ouvir seria iludirmo-nos
Se ver e ouvir são ver e ouvir?
O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê
Nem ver quando se pensa.
Mas isso (tristes de nós que trazemos a alma vestida!),
Isso exige um estudo profundo,
Uma aprendizagem de desaprender
E uma seqüestração na liberdade daquele convento
De que os poetas dizem que as estrelas são as freiras eternas
E as flores as penitentes convictas de um só dia,
Mas onde afinal as estrelas não são senão estrelas
Nem as flores senão flores.
Sendo por isso que lhes chamamos estrelas e flores.
Alberto Caeiro

Consciência é sempre “consciência de alguma coisa” então posso defini-la fora dessa relação. Ela não é uma coisa que se opõe a outras coisas, mas um movimento…

INTENCIONALIDADE

VONTADE não mensurável

OLHAR as coisas intencionalmente

Vejo o mesmo vermelho que você vê?

Sujeito e objeto e a dicotomia fora-dentro

Nos projetamos na direção das coisas

Nietzsche disse que não se filosofa sentado. Que a caneta deve dançar e que a dança é necessária para a transvaloração de valores.

TRANS

Prefixo que indica através; além de

TRANSsexual. TRANScendental

do Latim TRANSCENDERE, “subir sobre, sobrepassar”, de TRANS-, “além”, mais SCANDERE, “subir”

Como usar um corpo que não te pertence? Como contar experiências?

Estar além dos limites conhecidos é transcender. O que não indica ausência de limites, mas apenas quebra, rasgo, pulo, transposição deles. TRANSpor, por além, através da liberdade. Liberdade, em última instância, é a escolha do que nos prende. Liberdade dentro e fora dos dentes, digo o que quero, Liberdade no verão, no inverno, liberdade jovem, vigiada, limitada e decadente.

Corpo como gaiola, como jaula, e suas frestas deixar entrever o mundo. Frequências, vibrações audíveis, temperaturas e odores. Gosto, gozo e êxtase. Corpo como prisão. Corpo único em sua generalidade. Eterna contradição. Imposição de individualidades e exposição para o mundo e o que ele te oferece.

Corpo-consciencia banal e único, a partilha de toda a humanidade, a única unanimidade. Dual? Múltiplo.

O corpo como execução do direcionamento imposto pelo mundo

O corpo como janela do mundo

O corpo como única janela do mundo

O corpo como intermédio ser/mundo

O corpo como o ser no mundo

O corpo como casa da experiência

É preciso voltar às coisas mesmas (Husserl)