São Paulo 1x1 Fluminense: O copo pela metade

Matheus Sousa
Sep 3, 2018 · 8 min read

O São Paulo entrou pra rodada 22 do Brasileirão numa situação muito animadora. A vexatória derrota do Flamengo diante do Ceará pelo jogo das 11h, somada ao jogo do Internacional fora de casa contra o Cruzeiro, pintavam um cenário perfeito para o tricolor abrir uma vantagem considerável na briga pelo título.

E os números só corroboravam essa expectativa, de um lado tínhamos o time do Morumbi como segundo melhor mandante com 26 pontos conquistados em seus domínios (podendo ultrapassar o Flamengo em caso de vitória) e do outro um dos piores visitantes do campeonato, somando apenas 9 pontos conquistados em territórios rivais. Mas é futebol né, meus amigos? E a gente sabe que nesse esporte isso era um aviso dos Deuses de que ia dar alguma merda.

O time da casa foi a campo com: Sidão, Bruno Peres, Bruno Alves,Anderson Martins e Edmar; Hudson, Liziero; Rojas, Shaylon, Reinaldo e Diego Souza. A princípio, a mesma formação que iniciou contra o Corinthians com Reinaldo de (nem tanta) surpresa no lugar de Everton. Pode até parecer um time pouco modificado, mas era a primeira vez que jogaríamos sem Nenê e Everton numa mesma partida.

O jogo começou tranquilo, não se viu a pressão dos 15' iniciais características do São Paulo no Morumbi. No lugar disso, vimos um time trocando passes com lentidão (que não se pode confundir com calma) e um pouco burocrático com a bola. De um outro lado um Fluminense suicida tentando sair por baixo, construindo de pé em pé (essa teimosia quase custou caro no segundo tempo em 4 oportunidades).

Essa tranquilidade do São Paulo pode até ser benéfica em alguns momentos do jogo, mas pra ontem, no contexto em que o jogo se apresentava, parecia até um quê de soberba de um time que podia resolver a hora que queria. O ponto principal é: não precisa ser um time que tenha a posse de bola nem que troque mil passes por jogo, mas o São Paulo precisa saber o que fazer quando tem a bola nos seus pés e ontem o primeiro tempo mostrou muito pouco disso.

O Flu criava suas melhores chances com o bom Ayrton Lucas e sua velocidade, por outro lado, o São Paulo incomodava na bola parada ou quando conseguia roubar uma bola no campo adversário. E aqui vai o primeiro alerta: Cheguei a comentar em outra análise, mas repito. Não há problema em ser reativo ou ter a menor porcentagem de posse de bola, mas na maneira em que jogamos a pressão no portador e a nossa intensidade NÃO PODEM SER NEGOCIADAS DE MANEIRA ALGUMA. Fazer isso é matar uma das principais características do time: a saída em velocidade. Marcar forte também deve ser encarado como possibilidade de ataque, principalmente num time moldado para o contra ataque rápido como é esse São Paulo.

A primeira boa chance do jogo veio com o Flu, numa boa jogada de Ayrton Lucas e um chute na trave de Jadson. Depois disso, o São Paulo chegou com perigo algumas vezes com Hudson e numa cabeçada de Bruno Alves, mas nada que caracterizasse um abafa imenso do mandante. Tudo corria tranquilo até o minuto 36, quando Diego Souza resolveu ser um dos protagonistas do embate.

Pô, Diego. Tu já tem 35 anos nas costas, me ajuda a te ajudar, amigo.

Não vou me alongar falando do lance aqui, mas faltou ao nosso camisa 9 analisar o contexto. Time líder pegando um fraco visitante, possibilidade de se distanciar dos demais, quase 50 mil no Morumbi… Não dá pra ter uma atitude dessas, não dá.

Depois da expulsão, o São Paulo recuou marcando com uma linha de 4 e outra de 5 até o fim do primeiro tempo, nesses 9 minutos finais o Flu já dava mostras de como era inoperante e ineficiente com a bola nos pés, Aguirre estava de olho.

Na volta do intervalo, Diego técnico tentou Shaylon mais avançado por 5 minutos e viu que o time perdia em dois pontos com o garoto: Velocidade na puxada de contra ataque e referência num jogo mais posicional. Veio Trellez pro lugar do camisa 20. Nessa altura do jogo o São Paulo não sofria mesmo com um a menos, devido ao jogador a menos o time voltou mais ligado, sabendo da obrigação de correr o dobro e ai a mágica se fez, voltou a PRESSÃO AO PORTADOR DA BOLA.

Por vários momentos do segundo tempo, nem parecia que estávamos com um a menos tamanha era a dedicação na marcação, Hudson fazia um grande partida e o São Paulo chegava com perigo quando conseguia roubar a bola no meio. Mas num lance confuso e totalmente controlado, Anderson Martins cabeceou contra e tomamos um balde de água fria. Pra mim, 50/50 na culpa pra Sidão e Martins, faltou comunicação.

Daí em diante as pretensões já mudaram, se no começo era quase certo o SP sair com os 3 pontos, depois do gol o empate não parecia tão mal resultado assim. Assustávamos nas bolas paradas, até que veio a segunda alteração do profe. Régis no lugar de Edmar (que já não tinha muito o que oferecer) e Regis jogando na segunda linha (ao contrário do que foi pensado, já que o natural era o Peres adiantar mais). E de lá veio o gol do empate, gol com a cara do Aguirre e do time. Gol que não viria se não fossem aqueles jogadores que acreditam até o final, de Régis pra Trellez e do Colombiano pro gol. Ele é limitado, todos sabemos, mas tenho minhas dúvidas se o DS acreditaria até o final naquela bola e chegaria tão limpo nela, ponto pro Balotrellez.

Os minutos finais foram de pressão grande tricolor, poderíamos ter ganhado se tivesse um capricho a mais. Assim como poderíamos ter levado aos 43', quando Peres cochilou e Matheus Alessandro entrou por trás pra chutar na trave.

No fim 1x1 que nos garantiu mais uma rodada na liderança e ainda com 3 pontos de diferença para o Inter. Nem meio cheio nem meio vazio, o jogo mostrou coisas para se orgulhar, mas também alertas que precisam ser vistos. Lutar por título depois do ano anterior que tivemos é surreal, mas se pudesse exigir algo seria só um pouco mais de letalidade nessas rodadas em que nossos concorrentes vão deixar pontos pelo caminho. Por favor, São Paulo, vamos matar isso, tá perto. Os pontos corridos não costumam perdoar quem faz isso.

Análise individual dos jogadores:

Sidão: Não adianta, é o que temos pro fim do Campeonato. O Aguirre disse que a recomendação era ter saído mesmo, outros dizem que não precisava, na dúvida fica com metade da culpa pela falta de comunicação. Não dá pra num jogo com um a menos tomar uma dessas.

Bruno Peres: É bom jogador, mas visivelmente ainda não está em sintonia com o esquema da equipe. Por vezes falha na marcação e abre buraco, pra quem tinha Militão até pouco tempo, a diferença da aderência ao plano de jogo salta aos olhos, mas tem tudo pra melhorar a longo prazo.

Anderson Martins: Fez uma boa partida, principalmente achando bons lançamentos pro Rojas ficar no mano a mano, mas não tem jeito, fica um pouco marcado pelo vacilo. Fatalidade, é verdade, mas não dá pra rolar num jogo desses.

Bruno Alves: Mais uma partida segura do nosso zagueiro, boas coberturas e jogo aéreo, traz muita segurança de um modo geral dentro do jogo. O que precisou de cobrir e dobrar com o Peres ontem não tá no script.

Edmar: Partida apagada e discreta, a gente sabe que o forte dele não é o ataque e só piorou com a expulsão, já que precisávamos de rápida recomposição mas também rápida saída. Ficou na média do que vem apresentando.

Hudson: Ontem faltou um pouco mais de capricho na chegada a frente, teve 3 oportunidades de finalização dentro da área, é um ponto a melhorar de tempos e que, se o fizer, se torna um volante num nível altíssimo já que sua capacidade de destruir jogadas e sua leitura de marcação são acima da média.

Liziero: Partida de ontem um abaixo pro nível que o monstrinho vem apresentando, mas totalmente natural pela idade. Se revezou em alguns momentos com Hudson pra fazer a saída de bola mas não conseguiu quebrar tanto as linhas. Foi substituído por Luan quando já estava exausto (cena comum em todos os fins de jogo do menino) e já não conseguia tomar as melhores decisões dentro de campo.

Shaylon: Então, num primeiro momento achei uma partida bem fraca, mas parando pra analisar vi que foi ok. Não fez nada demais e ainda peca um pouco por uma aparente falta de intensidade (tem alguns bons picos de produção e depois some), mas depois da expulsão ficou totalmente inútil dentro do jogo devido suas características. Fica pra uma próxima, não foi dessa vez.

Reinaldo: Muito bom jogo! Quem diria que seria uma das referências (até técnicas) do São Paulo, coisas que só o futebol proporcionam. Muito perigoso nas bolas paradas e podia ter guardado um numa que passou raspando, fora isso, muita entrega e lucidez dentro da partida, sempre conseguindo achar um companheiro e clarear a jogada. Até lançamento de perna direita rolou, vejam só.

Rojas: Poucas vezes vi um jogador encaixar tão bem e tão rapido numa proposta de time. Tenho minhas ponderações em relação a ele (principalmente contra uma defesa mais postada), mas não tenho o que falar, muito bom no 1x1, clareia muito e sempre acha alguém. O Joao tem uma visão de jogo acima da média dos beiradas de campo aqui do Brasil, sempre consegue achar alguém numa boa posição e controla o tempo pra dar o passe muito bem. Peca na finalização é verdade, mas até aqui vem fazendo um ótimo campeonato.

Diego Souza: Cara, não te acho o pior dos 11 inicial e já te elogiei em outra análise aqui, sei que tu é importante pro sistema de jogo, mas porra. Me ajuda, Diego. Não dá pra querer dar uma cotovelada num jogo calmo desses, cara. É papo pra conversar e dar um puxão de orelha, mas a titularidade continua.

Trellez: Até o próximo jogo só chamo de Balotrellez. É (muito) limitado e até ele sabe disso, mas acredita em todas, corre demais e ainda tá fazendo gol. Não posso dar um piu sobre, só agradecer. Tem um papel importante no elenco e parece ser ciente disso, agrega bem pra uma disputa longa como o Brzão.

Régis: Entrou bem demais, pra mim não resta dúvidas da sua capacidade ofensiva, ao que me parece o Aguirre gosta dele numa segunda linha, como opção de velocidade contra defesas já cansadas. Tem o drible como diferencial, mais um que pode ser importante pro elenco.

Luan: Pouco tempo de jogo, mas entrou quando o Liziero já tava morto. Manteve a consistência do meio e fez o seu.

Aguirre: Eu nem lembrava o que era ter técnico no banco. É impressionante a fase que vive Diego Aguirre, também pelas substituições mas não só. Deu uma identidade pro time, parece ter o elenco na mão e sabe usar cada jogador no momento certo e pro que o contexto pede. A vitória de ontem tem mais do que a assinatura dele, tem a cara e a alma.

No final das contas, ficou tudo como começou a rodada (apenas o Grêmio e Palmeiras um pouco mais perto, mas esses são papo pra depois). De positivo, a organização, o espírito e o ponto conquistado da maneira que foi. Agora é pensar no Galo porque dá pra ganhar sim. VAMO SÃO PAULO, NUNCA TE PEDI NADA PORRA.

Matheus Sousa

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