nº 1

Pensar é o que me mata

e estou para a morte porque penso.

O pensamento é inerente à mim.

Pensar é o que me faz vivo

e vivo sob pensamentos.

Cada parte de mim é pensamento,

cada pensamento é dúvida,

cada dúvida é um segundo vivido,

cada dúvida é um segundo extinto.

Num segundo me perdi no tempo,

não vi onde fiquei (ou para onde fui),

se me desfiz (e quem saberá?, se me refiz).

Num segundo perdi o tempo

que seguiu sem meu consenso

desenhando o que chamou de momento.

Nesse segundo coube uma vida

que se prolonga por pensamentos

e soa seguir indecisos ventos.