De Estagiário a Gerente de Produto em apenas 6 meses

Como para todos que estão em começo de carreira, é sempre um grande desafio decidir por onde começar para chegar no seu trabalho dos sonhos, certo?

Em apenas 6 meses, descobri uma nova possibilidade de carreira e simplesmente me apaixonei! Por isso resolvi compartilhar um pedacinho dessa história com todas pessoas que ainda buscam se encontrar profissionalmente, mas não sabem por onde começar.


Antes de contar como foi esse processo, vou fazer um breve resumo de uma de minhas experiências mais relevantes.

Em 2012, iniciei meus estudos em engenharia química na UFSC em Florianópolis. Logo no primeiro mês de faculdade, tive a sorte de entrar na empresa júnior do nosso curso, a CONAQ.

Na CONAQ dei meus primeiros passos descobrindo o universo da consultoria. Passei 3 anos da minha graduação lá dentro assumindo todo tipo de desafio desde o início. Desde o momento que comecei como trainee até o momento em que encerrei minha gestão como presidente.

Nesse período desenvolvi uma série de soft skills, competências técnicas em gestão, além de ter tido experiências extremamente valiosas para meu autoconhecimento e crescimento profissional. Porém, meu principal aprendizado desse período pode ser resumido em uma única palavra: Propósito.

Descobri que meu propósito é criar soluções que tenham um impacto positivo na vida das pessoas.


Voltando ao que interessa.

No último semestre da minha graduação, tive a oportunidade de realizar um estágio em uma empresa que atua em uma área completamente diferente de qualquer experiências que tive anteriormente, a GeekHunter.

Sede da GeekHunter com nossa mascote, Gaia

A GeekHunter é uma startup que conecta os melhores desenvolvedores às melhores empresas através da tecnologia.

Eu, um estudante de engenharia química no seu último semestre de graduação com uma série de experiências na área de gestão e engenharia, iniciei meu estágio na área de Suporte e Atendimento ao Cliente.

O que me parecia apenas mais uma experiência de estágio para colocar no currículo se provou uma grande oportunidade de descobrir uma nova carreira.

As duas competências essenciais

Durante todas minhas experiências profissionais, pude desenvolver uma série de competências, mas duas delas julgo como essenciais para qualquer trabalho.

  1. Visão sistêmica: a capacidade de entender todo o contexto por trás do seu trabalho e identificar como os processos se relacionam entre si.
  2. Resolução de problemas: a capacidade de descobrir o problema, olhar para todo o contexto e identificar possíveis soluções para resolvê-lo.

Ao desenvolver pelo menos um pouco dessas duas competências, é possível ter sucesso em qualquer função desempenhada. Pode ser que, dependendo do tipo de trabalho, uma série de outras competências também sejam exigidas, mas essas duas competências permitem uma evolução contínua e acelerada.

Mesmo que um projeto tenha um resultado ruim, se você conseguir entender todo o contexto e ter a capacidade de descobrir as causas por trás desse resultado, certamente terá sucesso.

Como tudo começou

Como estagiário na área de suporte tive o desafio de tratar solicitações de clientes e ajudá-los a encontrar soluções para seus problemas. O que no início pareceu um trabalho operacional de entender os problemas mais comuns que ocorriam e entregar as soluções prontas definidas previamente, logo se mostrou um trabalho extremamente estratégico.

Estar em contato direto com o cliente, nos permite entender suas dores e necessidades. E essas informações são extremamente valiosas.

Em 2 meses de função, já conhecia todas as principais dores de nossos clientes e já havia otimizado ao máximo meu trabalho de forma que de minhas 30 horas semanais, gastava apenas 8 horas na área de suporte.

Isso me permitiu desenvolver uma série de projetos paralelos que me permitiram entender toda a área de produto, assim como o funcionamento das outras áreas da empresa.

Uma vez adquirindo essa visão sistêmica do negócio, uma série de oportunidades surgiram.

Enquanto estagiário, aprendi a fazer consultas no banco de dados (usando SQL) e extrair informações valiosas que me permitiram explorar ainda mais a fundo o comportamento de nossos usuários e chegar na raiz de inúmeros problemas que afetavam diversas áreas da empresa. Assim, com toda a autonomia confiada a mim pelo meu gestor, desenvolvi projetos de melhoria em conjunto com a equipe comercial, com a equipe de marketing e até com nosso CEO.

Desenhava-se até aqui uma carreira para trabalhar com Business Intelligence. Meu trabalho olhando dados e realizando análises para ajudar na resolução de problemas e na tomada de decisão me renderam uma proposta para trabalhar como Analista de BI.

E isso era ótimo! Pensei comigo: “Estou prestes a me formar e já tenho um emprego trabalhando com uma função que vai me permitir descobrir e resolver problemas, além de ajudar a empresa na tomada de decisão. Isso já cumpre parte do meu propósito.”

Iniciei meus trabalhos como analista de BI no mesmo mês em que me formei engenheiro químico. Nesse mesmo mês continuei explorando essa nova função e descobri que ainda não tinha encontrado a minha paixão. Meu trabalho com inteligência de negócio me permitia cumprir com meu propósito parcialmente.

Nesse mesmo período, tomei conhecimento de uma função que poderia ser o que eu estava buscando através do meu gestor, Rafael Besen.

E adivinha! Product Manager era essa função.

Como virei Product Manager?

Agora finalmente toda a visão sistêmica que adquiri em 6 meses de empresa pareciam fazer ainda mais sentido. Mas afinal, o que é ser Product Manager?

© 2011 Martin Eriksson.

Segundo a definição de Martin Eriksson, uma referência na área de Product Management, o Gerente de produto está na interseção entre o Negócio, a Tecnologia e a Experiência do Usuário.

Negócio – Product Managers devem maximizar o valor para o negócio através do produto. Eles devem otimizar o produto e encontrar soluções para atingir objetivos de negócio.

Tecnologia – Além de definir o que será construído pelo time de produto, o Product Manager precisa entender a tecnologia por trás desse produto. Não é preciso que ele saiba programar ou ter um conhecimento aprofundado sobre arquitetura de software, mas ele precisa entender qual é o esforço necessário para construir as soluções e tomar as decisões de forma assertiva.

Experiência do usuário – Por último, o Product Manager deve ser a voz do cliente dentro do time de produto. Ele deve conhecer profundamente o cliente e compartilhar esses conhecimentos com o time. Além disso, ele deve ser apaixonado pela experiência do usuário para conseguir descobrir as melhores soluções que irão resolver o problema do cliente.

De forma resumida, é de responsabilidade do Product Manager tudo que será construído pelo time de produto.

É óbvio que ele não toma essa decisão sozinho, mas se o que for construído pelo time não resolver o problema do cliente, será sua responsabilidade.

Ao começar a estudar e entender sobre Gestão de Produto encontrei a interseção entre essa carreira e meu propósito.

Construir produtos que as pessoas amem e assim causar um impacto positivo em suas vidas.

Ainda é o início dessa jornada, mas estou extremamente animado com as possibilidades que se apresentam! Pode ser que existam ajustes durante o percurso, mas tenho certeza que será uma grande aventura.

E você? Já descobriu a carreira que une suas habilidades ao seu propósito?

Adoraria ouvir sua história e aprender sobre suas descobertas.

Se você se interessou pela carreira como Product Manager ou trabalha em um time de produto em uma empresa de tecnologia, recomendo ler o livro do Marty Cagan – INSPIRED: How to Create Tech Products Customers Love