Considerações de passos na rua

(escrito num caderno de colégio num fim de ano em 2006, salvo num blog pessoal numa quarta-feira, 14 de julho de 2010)

Enquanto a casa está de pé, eu não moro lá. Monóxido de carbono em excesso, pronto para me psicotropicar.
Via no rosto das pessoas - a rua cheira a combustão e desespero.
Sem fluir o caos no trânsito pra entorpecer quem quer que fosse. Encarava os próprios pés, esperava que, como meteoro, viessem as respostas atingir-lhe em cheio o crânio. Sorriu com o pensamento, e colocou de volta os fones de ouvido.
Cabisbaixou até sua casa, imaginando as outras vidas - pelas janelas dos prédios, pela gravata torta do senhor de meia-idade de cuja testa reluzente escorria uma solitária gota de suor.

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