Tempo, medo, irreal.

Somos a geração do pragmatismo.
Tudo deve ser estritamente calculado e pensado, pois temos medo.
Vivemos à procura de uma verdade que a todo momento pode ser mutável.
Não podemos errar.
Não pode acontecer imprevistos.
Não podemos morrer.
Não existe vida.
Somos, na verdade, a geração do medo.
Medo de não ter algo, de não chegar onde se espera, de perder, de tentar ganhar, de viver.
Idolatramos o passado, pois não podemos mudá-lo,
sempre o achamos mais fácil que o presente e que o futuro,
mas, de fato, parece ser,
o conhecemos.
Tememos o desconhecido.
O desconhecido assusta, é imprevisível, traiçoeiro.
Esperam muito de nós, não podemos decepcionar, não podemos errar.
Criaram as máquinas, viramos umas também?
Vivemos para as máquinas, conversamos com máquinas, estamos a todo momento juntos, mas separados.
Ó grande paradoxo da modernidade. Estreitando laços ou criando abismos?
Não há conversa, se não por chats e redes sociais.
Sentamos todos juntos num bar, para ficarmos próximos na verdade de códigos que nos ligam à outras pessoas, à outras realidades, à uma vida líquida, irreal, vivida sem a vida.

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