A carta número XXII

Quando você achar que está ficando louca só porque alguém chamou você de louca, lembra da vez que eu contei sobre aquela menina que me beijou só pra ser expulsa da clínica. Maquiagem borrada, olhos inchados de tanto chorar, uma argola no nariz, sorriso bonito ainda que amarelo, ela engolia cigarros, engolia minha língua. E quando eles me chamaram de louco, eu engolia comprimidos e queria ver sentido nas escolhas mundanas. O lugar-comum é um lugar tão lindo quando se tem dinheiro e muitos amigos. Se a carapuça que me cabe é me cabe é o chapéu de louco, que veja só você é o chapéu do bobo, visto ele e escrevo um foda-se pro mundo a cada dia em meio a timelines noticiando o fim do mundo. Meninas com peitinhos de vedetes de pornochanchada vindo por cima. E se tiver um Jimi Hendrix na playlist pra gozar levo dois dias. Ontem vi o fantasma do meu pai sentado no sofá mas ele não sorria. Estou sem luz em casa, acordei gritando alto, sofria, dormi cedo sonhando com a luz do dia. O sono me induz à única questão relevante da minha vida, “quem amei mais, Carolina ou Sofia?”. E se você não entendeu por que tatuei sobre meus pulsos, como eu vou te explicar que não tô debochando nem sendo irônico quando nesse momento digo que suas estrias são marcas bonitas?

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