Matheus, a ideia de “sobrevalor” não pressupõe, necessariamente, a existência de um valor objetivo…
Gilberto Miranda Junior
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Matheus, a ideia de “sobrevalor” não pressupõe, necessariamente, a existência de um valor objetivo, fixo e inalterável. Mas, obviamente, ela nos remete a ideia de que tudo o que ultrapassa o valor de uso se agrega a valores criados artificialmente. E isso não revoga o caráter subjetivo do valor de uso. O sobrevalor, esse sim, é que possui um valor objetivo, na medida em que se dá por forças ideológicas e pressões de mercado que visam atender interesses de produção e comerciais, e não a satisfação de necessidades de quem consome. A pergunta a ser feita é: do quanto aquilo que você está disposto a pagar por um bem ou serviço, de fato, tem a ver com sua necessidade real, ou tem a ver questões do sistema em que você se insere, o que sobrevaloriza um bem.

Sim, a ideia do valor subjetivo não rejeita a ideia de um sobrevalor(valor a mais do valor subjetivo dado pelo comprador). Contudo a ideia de um valor objetivo até mesmo para um sobrevalor é errada já o valor subjetivo que o comparador dá já contém a ideia de todas as variáveis que ele determina em sua julgamento, sejam estas variáveis quais for necessidade real ou questões do sistema em que você se insere. Vendo que o que é um sobrevalor para um pode não ser um sobrevalor para outro. Por exemplo, um anel de brilhantes para mim contém um sobrevalor altíssimo, mas para um noivo comprando para sua noiva pode ter um valor abaixo do que ele julga.

O mesmo carro aqui é vendido por quase o dobro do valor dele na Argentina. Alguém que desconhece e já tem internalizada a cantilena neoliberal dirá que ée por causa dos impostos. Não, não é… Procure saber. Há um sobrevalor absurdo e uma margem estratosférica praticada internamente pelas fábricas que vivem reclamando do imposto e não reduzem a margem como fazem em outros países.

Sim, a ideia de que os alto preço dos carros no Brasil vem somente dos impostos é absurda. No entanto, existem muitas variáveis que fazem esses preços serem tão altos. Sendo principalmente cinco: os tributos diretos incidentes no veículo; os tributos indiretos; a infraestrutura precária(custo-Brasil); a logística inadequada e a alta demanda.

A alta demanda com uma “pequena” produção permite que eles cobrem altas taxas de lucros(algumas vezes podem ser até três vezes maior que a nos EUA). Só que aqui se esconde que a ineficiência na infraestrutura brasileira(causada por monopólios estatais), altos barreiras de importação para tais veículos e tecnologia para a produção seguida de benefícios para algumas empresas escolhidas a dedo pelo estado matam e não permitem a entrada de empresas nacionais e ou de outros países. Matando a concorrência e permitindo um oligopólio das empresas já estabelecidas no Brasil que, assim, podem cobrar preços “abusivos”.

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