Panic! at the Disco- “Death of a Bachelor”

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O quinto álbum dos conterrâneos da cidade do pecado é celebrativo e eufórico e borra os limites entre rock e pop com uma dosagem generosa e licenças criativas. Mais de uma década depois de sua estreia A Fever You Can’t Sweat Out, 2005, onde empenham teatralidade, o glam espalhafatoso, a promiscuidade do punk, synthpop e can can, Brandon centraliza a banda em torno de um senso de diluição no mainstream com menos experimentalismo e sem o respaldo do pop punk da década passada, mas com cautela para soar como a mesma banda.

O título e capa do disco já colocam em foco que a diversão desregrada e o espírito adolescente o permeiam, a busca pela emancipação por meio da perdição através dos olhos de quem pode deixar o “importante” pra depois. As letras tratam de fazer isso porém com certo tom de leve profundidade misturando sexo, drogas e rock n roll com um foda-se libertador. E servem ao seu proposito instigante, sobretudo em Victorious, que abre energeticamente o disco “temos que ligar o botão da loucura viver como celebridades decadentes”, Crazy=Genius, com sua ponta de Jazz “se louco é igual a gênio então eu sou a porra de um incendiário”, The Good, The Bad and The Dirty “se você quer começar uma briga é melhor dar o primeiro soco” e Dont Thereaten Me With A Good Time com seu marcante “Champanhe, cocaína e gasolina, eu rodei a cidade em um carrinho de supermercado um maço de cigarros e um alarme de incêndio”.

Se as fontes que bebiam iam de musicais de teatro a psicodelia dos Beatles, Pretty Odd, 2008, aqui dão espaço para a autorreferência contida, de seu penúltimo trabalho, porém sem o tom radiofônico dos anos 80 e o esforço de repaginar o retrô. Urie se contenta em ser palatável, mas com pitadas de Too Weird to Live, Too Rare to Die!, 2013, e toma licença para se misturar ao Queen e Frank Sinatra, inclusive no visual de alta costura mais flexíveis porém característico, com um frescor de suas faixas mais marcantes Emperor’s New Clothes “estou pegando minha coroa de volta, estou completamente vestido e nu, eu vejo o que é meu e pego” e Death of a Bachelor “Estou caminhando, a estrada mais longa observando enquanto o céu cai, a renda em seu vestido enforca meu pescoço”, um dos destaque vocais da obra, já Impossible Year é melancolia contemplativa e encerra o álbum “não há luz do sol, este ano impossível, apenas dias negros e céus cinza”.

O Panic! at the Disco parece não querer causar panico, visual e musicalmente, e ficam dentro do garantido, sendo sua garantia ainda assim um disco de pop rock bem resolvido sonoramente, espirituoso, agradável, que lhe entrega o que se propõe e mesmo que aja autorreferencia de seu antecessor, inspirado em um romance homônimo, se atém a sua elegância pontualmente e busca um lado incendiário, caótico e jovial de uma alma adolescente, “você pode se atear fogo mas você nunca irá queimar”.