CABELO, COMO APRENDI A DOMÁ-LO COM O AVANÇAR DOS ANOS

Qual mulher não se sente com a autoestima elevada quando seus cabelos realçam seu charme?

Texto: Denise Ribeiro

Com as rugas se insinuando a cada manhã e as marcas de expressão cada vez mais proeminentes, os cabelos passaram a ser meu maior trunfo de sedução. Acordar, olhar no espelho e achar que o meu cabelo tá bonito me deixa com a autoestima lá em cima. Mais alta do que o coque que faço todas as noites antes de dormir. Ele é meu (único) companheiro diário de cama, meu truque noturno para domar minha ressecada cabeleira. Liberto-a do coque assim que acordo e vou conferir o resultado da “técnica de hidratação” diante do espelho.

Às vezes tenho vontade de gritar, tamanho o susto que tomo: o cabelo alisa na frente mas arrepia dos lados, me dando uma aparência de pica-pau eletrocutado. Outras vezes fica tão armado que eu me pergunto se não seria mais prático passar a máquina zero e fazer pose de roqueira punk heavy metal. Mas me faltam os piercings e a cara de enfado pela vida, então acabo recolhendo os subversivos num coque de dia inteiro.

Bom mesmo é quando eles acordam bem-humorados, leves, jeitosos, cumprindo com eficiência sua missão de vida: valorizar meu rosto, suavizar meu queijo, conferir mais brilho aos meus olhos verdes. Nossa! É uma vitória semelhante à de César conquistando uma cidade rebelde. Com todo o exército romano ajudando.

Nesses dias eu me sinto tão poderosa que não daria mole nem para a Gisele Bündchen. Seria capaz de dar uma volta com ela — e seus estonteantes cabelos curvilíneos –, achando que metade daqueles olhares de aprovação recebidos era direcionada à minha pessoa.

Sem contar o efeito quase erótico dos cabelos ondulados sobre os homens. A maioria das mulheres cai nessa conversa de que cabelo liso é que é o tal. Uma pena, porque estamos nos transformando numa nação de garotas playmobil — um exército de gente de fios tão alisados quanto sem charme. Nada se compara ao gingado de um cabelo crespo, cacheado, jeitoso, daqueles que dá vontade de se enrolar neles, né, Wando?

Por isso, já faz uns 10 anos que abri mão da chapinha e da escova progressiva para assumir definitivamente minhas madeixas de contornos indefinidos. Se por um lado é um risco não saber como o cabelo vai se comportar toda manhã, por outro é um prazer inenarrável quando ele me transforma numa supermulher sensual, cheia de si, irresistível.

Podem acreditar: funciona de verdade. Nesses dias de autoestima exacerbada parece que tudo dá certo. E não é só porque meu olhar está irradiando boas vibrações para quem interage comigo. Até aquele bonitão difícil, indeciso sobre se quer ou não quer algo mais sério comigo, me telefona. É como se minha autoestima criasse um campo magnético do bem, desses que contagiam as pessoas com alto astral.

Então, pra não dar mole pro bonitão, eu olho no espelho e me certifico do meu poder de sedução. Celular grudado na orelha, confiro o visual, jogo os cabelos de lado e pergunto se ele pode ligar mais tarde. Porque, no momento, estou ocupada agradecendo um amigo que salvou meu dia logo cedo. Acreditem, meninas, na mágica dos cabelos. Mas, cá entre nós, mais do que cabelos lindos, o que o atrai as melhores coisas pra gente é vibrar positivamente para tudo e para todos.


Denise Ribeiro é jornalista e mediadora de conflitos, gosta de política e cinema, de conversas de botequim, de gente bem humorada e de comunicação não-violenta (embora precise treinar muito ainda esse quesito). Só não muda definitivamente para Salvador por causa dos netos.