O que um seriado da Netflix me fez parar pra pensar.

Fonte: Netflix.

Ontem resolvi assistir Master of None (que por sinal é ótimo) e no segundo episódio já tive uma baita reflexão: [SPOILER] Dev, um cara indiano que mora em Nova York, reclamava sobre sua vida e entre as mais variadas coisas, as tentativas em ser ator. No fim, ele se dá conta que jamais teria tido essas “tentativas” se não fosse os sacrifícios feitos pelo seu pai e sua mãe, antes mesmo que ele tivesse nascido. [FIM DO SPOILER] Foi aí que parei pra pensar: eu estava ali, deitada com meu marido assistindo mais uma série na NetflixMeus pais teriam algo a ver com isso?

Hoje somos todos empreendedores, inovadores ou criativos, que não se contentam com salarios mínimos e rotinas árduas em linhas de produção. Estamos todos conectados, compartilhando opiniões e links sobre pessoas que largam tudo para fazer mochilões. O problema é que na maioria das vezes, não nos damos conta que tudo isso é consequência de algum esforço feito por quem sempre cuidou da gente. Mais precisamente, nossos pais.

Não estou puxando saco e sei também como pais sabem ser difíceis — pra não dizer outra coisa. Entendo também que trabalhamos, estudamos, perdemos o sono, sempre preocupados se estamos sendo bons o suficiente. Mas será que estaríamos aqui sem o trabalho duro de nossos pais?

Meu pai já trabalhou numa fábrica de gaiolas para coelhos (???), postos de gasolina, vendedor autônomo e lembro perfeitamente (quando tinha uns cinco anos) que ele saía para viajar toda semana, procurando sitiantes que quisessem comprar mudas frutíferas. Algumas vezes vendia bem, outras nem tanto. Mas quando ele voltava, não faltavam iogurtes ou até mesmo os chocolates que eu mais gostava. Hoje, ele finalmente parou de viver na estrada e começou a vender as mudas em casa mesmo, surgindo então, nossa pequena (e amada) floricultura.

Contei brevemente essa história para justificar por que estou falando disso. O reconhecimento de que mesmo pagando sozinha minha faculdade (e excluindo privilégios como carteira de habilitação, viagens ou até mesmo um iPhone), só tive essa oportunidade de pagá-la porque hoje somos estruturados para isso. E sou feliz em dizer que “me banco sozinha”! (Até porque, seria insensiblidade minha cobrar algo quando tenho três irmãos pequenos que querem fazer balé, judo, inglês e possuem um gasto exorbitante em material escolar).

Mas o fato é que hoje posso trilhar meu caminho em uma área que gosto (na verdade publicidade é aquele lance de amor e ódio, né?) e mesmo sem as vaidades que minha geração insiste em publicar no Instagram, estamos todos bem! Com direito a churrasco nos domingos e cinema sempre que dá vontade.

Sim, eu sei. Essa é uma reflexão que poderia manter para mim. Mas decidi compartilha-lá por dois motivos: nesse ano irei concretizar minhas descobertas pessoais e talvez ao terminar de ler, você pense sobre sua família e quem sabe até, a chame para um jantar hoje — como Dev e Brian fizeram no tal episódio.