Somos um lixo de país. Somos, sim.
O Brasil é um lixo pois o povo é um lixo. Não é só um político que faz o caos num país, o povo é o responsável em primeiro lugar. E não, não é só por eleger um bando de bandidos para ocupar os cargos de poder. Não, também não é por não ir às ruas protestar. Não, não é por isso.
Aquele que corta sua frente no trânsito é um lixo. Aquele que não respeita regras simples como andar à direita é um lixo. E ele fará isso no trânsito. E ele fechará alguém no trânsito. E, algum dia, ele pode causar um acidente.
O povo é um lixo por dizer que “não anda de moto, porque é perigoso”. Amigo, o carro é mais perigoso que a moto-só que a possível vítima não é você, motorista-é o motociclista que você vai fechar, é o pedestre que você vai jogar o carro em cima, é o animal que você vai atropelar, é o ocupante do outro carro que você vai bater porque estava em alta velocidade e “não viu o carro, porque apareceu de repente”.
O povo é um lixo por dirigir falando no celular. Por não poder perder trinta minutos da vida sem mandar uma mensagem de texto, sem colocar a fofoca em dia, sem fechar aquele negócio de outro mundo, e acaba matando ou aleijando alguém porque não podia perder 30 minutos. É isso que a vida vale para aquele projeto de ser humano-um negócio fechado, uma fofoca, um status no Facebook, um SMS ou What’s App enviado combinando a balada da noite.
É um lixo por furar o farol vermelho. Porque se aquele motociclista que estava longe do farol, com medo de ser assaltado por estar parado, não tivesse o feeling de ter diminuído a velocidade, iria agora estar estirado no chão-morto, ou talvez aleijado. Por causa de menos de um minuto de vida. Se esse escremento em forma de humano ganhasse 60 reais por hora de trabalho-um valor alto numa sociedade em que o trabalho está tão desvalorizado-a vida daquele motociclista valeria 50 centavos. Porque o lixo de ser vivo que é aquele motorista não poderia esperar 30 segundos para o farol ficar verde para ele. Por isso, matou.
É um lixo porque se utiliza das mais diversas desculpas: não tive oportunidade na vida, não tive condições, não tive emprego, não tive o-que-quer-que-seja, para justificar seus crimes. Para justificar matar. Para justificar roubar. Para justificar o medo. E aí, outros lixos defendem. E aí, outros lixos querem os primeiros mortos. E aí, outros lixos julgam e optam por não dar a pena. E o lixo se acumula nas ruas, e quem limparia a cidade desiste de fazê-lo, porque a qualquer momento vão jogar mais lixo.
Esse, é o país que vivo-que vivemos. Esse é o país que institucionaliza todas as irregularidades, tudo o que é errado, que se recusa a combater as doenças. Não é um problema, é uma característica. É o “jeitinho brasileiro” de se acostumar e tolerar tudo. É o cara que atrasa quando você marca um horário, porque “queria ver o fim do filme”. E aquele tempo que você queria aproveitar depois foi-se, por puro individualismo.
E a gente releva. Afinal, somos brasileiros, e não desistimos nunca, não é mesmo?
Esse post foi um desabafo depois de um dia extremamente difícil de dirigir. Não, não aconteceu nada. Mas quase aconteceu. Quatro vezes. Se não fosse a falta de confiança no bom-senso das pessoas que eu tenho, em pelo menos duas delas eu poderia ter me machucado feio-uma, há metros de casa.
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