Nos Estados Unidos, republicanos e democratas enxergam o mundo de maneira significativamente diferente
Por que levar a carta do gringo a sério
Pedro Burgos
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Ótimo artigo, mas a realidade sobre republicanos e democratas nos EUA é um tanto mais complexa. E não só em relação a temas econômicos. Não poucos políticos democratas, por exemplo, opuseram-se ao casamento de pessoas do mesmo sexo (http://thehill.com/homenews/house/291097-bucking-the-trend-the-house-democrats-who-oppose-gay-marriage).

Um das maiores críticas de partidários de Sanders — mas não só deles — aos Clinton (Hillary e Bill) foi a guinada à direita que o ex-presidente deu durante seus mandatos, apoiado pela primeira-dama e futura senadora, aprofundando políticas adotados por Reagan, inclusive na “guerra às drogas” que fez a população carcerária explodir e não resolveu o problema. (https://newrepublic.com/article/129433/clintons-war-drugs-black-lives-didnt-matter)

E mesmo entre os republicanos, não é possível dizer que Ted Cruz e Trump representam o partido em sua totalidade. As divisões internas são gritantes (http://www.newyorker.com/magazine/2015/12/14/a-house-divided). E as novas gerações do partido não necessariamente se enxergam nessas alternativas. (http://www.pewresearch.org/fact-tank/2014/09/25/the-gops-millennial-problem-runs-deep/)

Finamente, a conclusão de que o voto a Trump se explica basicamente como uma identificação de eleitores conservadores que não enxergam sua ideologia nos seus representantes também acaba sendo precipitada. (http://www.huffingtonpost.com/entry/donald-trump-republicans-democrats-poll_us_55e5fbb8e4b0c818f6196a82)

Em relação ao Brasil e àqueles que não se veem representados, concordo com você, mas vendo quantos amigos e conhecidos à direita e à esquerda compartilharam a tal “carta aos brasileiros”, eu adicionaria aí o bom e velho “complexo de vira-latas” identificado pelo Nelson Rodrigues.