Impressões de um passeio no Bett Educar 2017

Dos dias 10 a 13 de maio, aconteceu, na São Paulo Expo, uma das maiores feiras de educação no Brasil, se não a maior. Empresas com diversas missões se reuniram para mostrar qual contribuição elas teriam a oferecer para o setor, desde startups até algumas gigantes.

Na sexta-feira, dia 12 de maio, tive a oportunidade de passear pelos longos corredores da feira e me deliciar com uma explosão de novidades que se apresentavam nos inúmeros estandes que ali estavam expostos. Uma gama gigantesca de empreendedores que encontraram na educação, uma oportunidade de negócio sólida.

No meio de tantas novidades que se escancaravam em um primeiro olhar, comecei a encontrar alguns padrões. Alguns mercados pareciam ser mais rentáveis, dada a quantidade (e tamanho) de empresas que lá se encontravam. A primeira que me chamou a atenção foram as editoras. Seus estandes enormes ocupavam uma parte importante da feira. Ou pelo menos chamaram muito a atenção.

Também chamaram a atenção as empresas de tecnologia. Exibindo seus produtos, era possível encontrar chromebooks, impressoras 3D, realidade aumentada, impressora de corte a laser, máquina de Van de Graff. Foram, sem dúvida, o fator “uau!” da exposição. Era impossível não serem notadas e sem dúvida atraíam a curiosidade.

Nessa mesma linha, uma quantidade enorme de empresas se propunham a integrar a programação no currículo escolar. Já é quase unânime a opinião de que este deverá ser um pré-requisito para as próximas gerações. E as empresas não perderam tempo. Muitas se lançaram no desafio de ensinar crianças (desde o primeiro ano do ensino fundamental!) a arte da programação, utilizando-se das mais diversas ferramentas lúdicas.

Lego Mindstorms

A mais recorrente foi com a utilização do Lego Mindstorms, um kit composto de peças de lego, exatamente como as tradicionais, além de motores, controladores e cabos de comunicação. A infinidade de possibilidades que esse simples conjunto de peças oferece me brilhava aos olhos. A criança dentro de mim pulava. Já o adulto se perguntava porque não nasci um pouquinho mais tarde.

Um pouco mais tímidas, mas ainda presentes, se apresentavam soluções de gestão escolar. Formulários super completos (e complexos) para preencher os dados dos alunos, organizar finanças, atividades acadêmicas. Enfim, tudo o que uma escola precisa. Ou, pelo que vi de relance, tudo que alguém bem especializado na utilização dos sistemas precisa, pois nenhum deles parecia ser tão fácil assim de utilizar. A usabilidade me pareceu um conceito bem distante nas empresas desse ramo.

De usabilidade, por outro lado, me parecia que algumas empresas de agendas escolares entendiam bem. Parei na frente de um estande onde um homem apresentava os gráficos e abas onde um professor seria capaz de analisar os dados de seus alunos, se respondeu ou não a um questionário, suas respostas, estatísticas e até se as mensagens tinham sido visualizadas ou não. Uma interface amigável, fácil de compreender e, aparentemente, fácil de achar o que quer que fosse. Fiquei maravilhado. Pena que durou pouco. Uma moça, vendo meu encantamento, me interrompe para poder explicar mais sobre seu produto. E como ele é revolucionário pois permite que os pais tenham controle total sobre o que seu filho faz na escola: que horas entrou, quais atividades escolares ele fez (e quais deixou de fazer), as mensagens recebidas dos professores.

Nessa hora meu lado adulto respirava aliviado de ter nascido um pouquinho antes mesmo. Que mania gigante de querer controlar tudo é essa? Isso é muito Black Mirror. E durante a feira, encontrei várias empresas com a mesma proposta. Só de startup, foram três.

O que ficou após a feira

Seria precipitado concluir que o evento foi uma amostra do que tem de mais novo e promissor no panorama da educação brasileira como um todo. Ou pelo menos é isso que eu espero. Talvez pelo tipo de público esperado no evento, não consegui identificar empresas que se preocupassem com o estado e potencial da educação pública no país. Por trabalhar em uma empresa que se preocupa com essa questão, isso me chocou um pouco. Ao mesmo tempo, dadas as dificuldades que eu observo para fechar e manter projetos no setor, acho que isso não deve ser por acaso.

Entretanto, mesmo no âmbito particular, poucas foram as empresas que demonstraram preocupação real com a qualidade da educação e da formação dos professores. Seria isso um efeito da falta de demanda frente à oferta ou simples desinteresse por parte de empreendedores?

Mas no meio de tanto “mais do mesmo”, encontrei pequenos pontos de luz que irradiavam suas preocupações com o desenvolvimento humano e cognitivo de professores e alunos. Através de metodologias, jogos, livros, atividades, essas empresas propunham transformar a sala de aula para desenvolver questões importantíssimas como aspectos socio-emocionais, criativos e empreendedores. Apesar de ficar o questionamento do poder de transformação desses métodos, foi um pouco de ar fresco que consegui encontrar no evento.

Voltei para casa com a cabeça explodindo de encantamento com a quantidade de empresas e formas diferentes de resolver problemas relacionados à educação. Esse setor que ainda tem tanto a crescer, sem dúvidas, e que é de tamanha importância para a nossa sociedade.