Em silêncio


O sol levantou-se em silêncio e, em silêncio, aqueceu a terra, as plantas e os animais.

A formiga trabalhadora saiu do formigueiro. Acompanhada por outras formigas, seguiu um antigo rastro de odor pelo chão. Os batalhões saíram seguindo as batedoras. Logo junto à base da terra do formigueiro, encontraram o corpo de uma cigarra e levaram-no para dentro da dispensa. Em minutos e em ritmo contínuo, já restabeleciam as velhas trilhas e as velhas fontes de néctar.

As flores desabrocharam em silêncio, e, em silêncio, geraram frutos para alimentar as formigas, fertilizar o solo e criar novas flores. As formigas, em marcha lenta rallentando, seguiam as trilhas em silêncio, buscavam frutos doces e resíduos de outros animais, colhiam-nos e estocavam-nos em sua colônia.

O verão chegou em silêncio e, em silêncio, descompassou as formigas. Aqueceu-as e enfraqueceu-as. Cada formiga esforçava-se para seguir, no ritmo de suas próprias forças, as trilhas pela floresta.

No outono, as formigas, exaustas de desencontrarem-se, desenganadas pela proximidade do frio, sofriam em silêncio e, em silêncio, continuavam caladas. Não podiam contar umas às outras seus pesares. Não conseguiam articular em sons a energia que lhes faltava.

O inverno baixou em silêncio, e, em silêncio, as formigas amontoaram-se no fundo da toca para chorarem ao redor do corpo da cigarra.