Review não é Resenha

sobre a resenha crítica literária na internet

(cópia da thread/tree do Twitter)

Minha intenção era fazer uma dessas THREADs PEDANTEs e chamá-la de “review não é resenha”. Mas aqui é melhor, porque dá para colocar links úteis e com calma.

1 diferenciação

review não é resenha, resumo, sinopse nem análise. há ainda quem diferencie resenha crítica de resenha descritiva.

  • 1a o review da Amazon, por exemplo, tem restrições de conteúdo e, por isso, é apenas a parte opinativa da resenha sem justificativas.
  • 1b não faz sentido descrever a obra ou posicioná-la historicamente se a página da Amazon já faz isso. review vai ser só gostei/não gostei.

2 estrutura

informações sobre a obra, sinopse ou resumo, análise, opinião (concluída a partir da análise)

3 objetivo

a resenha tem por objetivo apresentar uma obra para os leitores E auxiliar leitores na leitura dessa obra. pense: como leitores podem EXTRAIR MAIS do livro depois de ler a resenha

  • 3a o livro faz referência a histórias reais que aconteceram? comente sobre isso.
  • 3b o livro imita a estrutura da Odisseia, de Piratas do Caribe ou de A Princesa e o Plebeu? comente sobre isso.
  • 3c o livro usa mensagens celular? que inovador? só que não! comente sobre outros romances epistolares.
3ca “romance epistolar” quer dizer que imita cartas. pode citar Os Sofrimentos do Jovem Werther ou O Chamado de Cthulhu, depende do teu público.
3cb (ou Dracula ou As Vantagens de Ser Invisível ou A Cor Púrpura)

3cc (ou Flores para Algernon ou Carrie, A Estranha ou Cloud Atlas ou The Prestige…)

4 tipos de resenha

o tipo de análise muda o tipo de resenha. ela pode ser biográfica, historiográfica, psicológica, formalista, estruturalista, … depende do que o resenhista tem a oferecer.

  • 4a se não tiver nada a oferecer além da própria opinião, chamamos só “fofoca”.
  • 4b Resenha biográfica fala como a vida de um autor influenciou na obra. Ele pode ter vivido algo parecido ou só colhido informações. (Matadouro 5, Nada Novo no Front, Vermelho Amargo…)
  • 4c Resenha historiográfica (semelhante à biográfica) fala como os eventos históricos influenciaram ou são retratados pelo autor em sua obra.
  • 4d Resenha psicológica (às vezes parece que eu to inventando esses nomes, mas eles existem) trata as personagens quase como pessoas reais. Tenta identificar o que pensam, querem, o que as motiva. Pode considerar o narrador uma personagem e descrevê-lo psicologicamente também.
  • 4e Resenha formalista trata do texto enquanto forma. Busca trabalhar níveis semânticos e sintáticos, variações escolhidas pelo autor, o que o autor poderia ter escrito e o motivo de ter escolhido retratar esta e não aquela coisa.
  • Estamos falando (historicamente) do pensamento à época de Tolstói e Tchekov. Pouca enrolação, textos diretos. Então, queremos saber daquelas poucas palavras que o autor usou, o motivo de tê-las escolhido. Funciona para histórias de detetive em geral também.

5 resenha “impressionista”

também é um tipo de resenha, mas ela não se resume ao resenhista “dizer suas impressões” sobre a obra.

  • 5a exemplo de resenha impressionista

6 estrutura de resenha 1 (fora-para-dentro):

capa, título, capítulos, imagens, atos, personagens, ações, vocabulário. completa-se com opinião geral sobre a obra.

  • 6a acho essa mais simples de se fazer, pois acompanha a leitura do livro, quem estiver lendo a resenha pode parar de ler quando quiser e pular para o fim;
  • 6b quem faz a resenha pode anotar em uma folha de papel suas impressões enquanto lê o livro pela primeira vez e retirar dali uma resenha completa (e em ordem).

7 estrutura de resenha 2 (dentro-para-fora):

palavras, vocabulário, imagens construídas, parágrafos e progressão, capítulos, tema/temática, sentidos possíveis, completando com uma sugestão de interpretação.

  • 7a eu deveria sugerir aqui ler “Roman Ingarden” (principalmente para manter esta THREAD PEDANTE), mas o principal é entender que os significados das palavras mudam quando colocadas em frases.
  • 7b da mesma forma, os significados do texto vão mudando conforme colocamos cada trecho do texto dentro de um contexto maior. uma perda no primeiro ato é diferente de uma perda no terceiro ato. uma é motivação, outra é consequência.

8 o que mais?

alguma pergunta?
alguma coisa ficou de fora?

–> indiquem aqui seus resenhistas preferidos. também quero saber quem faz um bom trabalho por aqui.