Sua barriga faz o som do mar atrás da arrebentação
Ana afoga.
Aug 24, 2017 · 1 min read
Sua barriga faz o som do mar atrás da arrebentação.
Submersa em desconsolo, o sal molha amargo a garganta.
O grito. Geme.
A braçada. Nada.
O pescoço não é suficiente para a superfície.
Seus pés de âncoras queriam ser raízes.
A cabeça se prende à natureza de sua estirpe.
Mulher. Sozinha ao mar.
A flora.
Anáfora.
Satã Trimegisto abre o deserto para os peixes passarem.
Uma trepadeira cobre a parede leste.
As flores já não desabrocham no Jardim.
O mar cresce salgado.
A noite se curva de frio.
O vento vem vindo de longe.
A ilha sonha em continente.
O mar une pelo gosto.
Abraçada a nada. Sozinha a amar. Ana aflora.
