Maurício Ferreira
Aug 9, 2017 · 2 min read

1- Estereótipos nocivos. Concordo que muito do que se aproxima da realidade pode fazer mal ao legitimar o estereótipo como normal. Mas acho que você mesmo já responde a isso quando diz que Maneco gosta de gerar identificação no público através de seus diálogos onde vez ou outra os personagens estão apenas jogando conversa fora. Essas falas são tão possíveis e tão verossímeis que imediatamente nos remete as pessoas conversando no ônibus, na fila do banco, na sala de espera do consultório médico, entre mães, tias, avós. É triste, mas é muito real e talvez para criar essa empatia Maneco sempre utilize disso. Mas acho tbm que poderia ter uma crítica em cima. Às vezes até tem! Agora sobre os machos serem sempre o macho comedor, não concordo, Bruno em HDA, César e Leonardo em Por Amor, Miguel em Laços de Família, são exemplos de personagens masculinos que também sofrem por amor e não estão sempre indo pra cama curar suas dores com outras mulheres. Até acho que sim, que esse machismo enraizado faz o Maneco sempre arrumar uma mulher para todos os homens curarem suas dores, mas ainda acho que isso é tão naturalizado dentro da nossa sociedade e talvez por isso ele reproduza isso já que quer causar verossimilhança que realmente fica muito aceitável. Acho que ele até faz pouco, pq de tanto criarem “príncipes” nas novelas, o homem real tem se tornado cada vez menos parecido com os das novelas, já que esse amor idealizado não existe na vida real. Já as mulheres estarem sempre movendo suas vidas em função dos homens ou de um amor é muito característico do folhetim, se deixar de ser assim deixa de ser novela, mas de alguma maneira deve se renovar, pois as mulheres mudaram suas rotinas e até acho que Maneco se preocupa em mostrar certas mudanças na sociedade com mais ímpeto do que outros autores.

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