14.08.17, rj

Ficou boa pô. Estação Maracanã, esse trem era Japeri.

Quando levanto pela manhã e calço meus chinelos ásperos, evitando o contato com o chão frio.

No banco do trem, pouco mais de um metro de distância das portas, ainda abertas. Trem vazio, um cara com uma pança inchada por perto, pede-se informação. Que merda, acho que ninguém gostaria muito de viver esse cenário sem os filtros do cinema que explora a humildade.


Os dias têm passado tão rápido, e cada vez menos tenho tido a chance de estreitar as relações que quero estreitar. Ou as relações que já são naturalmente estreitas, mas que sofrem com esse afastamento tão explícito de quando você percebe que a maior parte do seu dia você passa na escola e a outra parte num ônibus, numa cadeira encarando uma tela e, esse felizmente, dormindo. Puta saudade do meu primo, da convivência com os amigos sem tempo cronometrado, de sair um pouco, de relatar as estranhas observações do dia com meus pais, da minha vó ligando no final do sábado.

Agora a maior parte do mês é monotonia , e tenho dado tanto enfoque nesse estado, que talvez seja melhor parar. Me envolvi num curso de extensão de história e às vezes assisto aula de filosofia com meu amigo, têm sido os excitativos nesses dias — também tenho conversado com uns colegas sobre essas coisas de vestibular,

Já cedo, a vida tem me tomado tanto tempo que por vezes esqueço de viver, quando percebo que estou vivendo. E não quero viver o que eu deveria viver, quero viver o que eu quero viver, mesmo que seja sentado numa praça ouvindo música e pensando sobre como o cabelo ta num ponto ridículo de grande e só vou poder cortar no fim de semana. Nada exótico, indie ou extraordinário. É como se sente a vida discreta e silenciosamente aos dezesseis anos.

Em contrapartida, não sei o que quero viver. No fim essa parece ser a parte chata de pensar muito sobre isso. Sei que pretendo ser curado e talvez reaprender a falar palavrão sem se sentir um babaca com 1.80 de altura.

Às vezes me sinto muito diferente da minha mãe, e do meu pai. Em alguns dias eles parecem esquecer que já viveram esses dias ruins da juventude, mas eu também esqueço, constantemente. As suas histórias passam pelos meus braços, já firmes e enormes, e só me vejo lembrar delas depois das frases indelicadas, ditas só para demonstrar inutilmente o estresse; das não-respostas.

E em meio a todo esgotamento de um dia estressante, deitar na cama à tarde e só acordar tarde da noite. Acredito que a essa hora meus amigos devem estar dormindo, é complicado ver que ainda há tanto a se fazer. Não tenho sono agora, e mais tarde irei me deitar tendo sentido o abraço de minha irmã e de minha mãe às dez da noite. Às sete, uma mensagem de carinho da outra que não mora mais comigo.

Tenho tentado escutar no silêncio nesses últimos dias, quando na verdade me vejo como uma pessoa calma, e quando me estresso, de estrutura grande, homem em formação e já feiamente barbado, acabo explodindo com as pessoas erradas, numa explosão geralmente desnecessária.

Tenho a sensação de que amanhã vai ser um dia bacana, muito embora sinta que essa semana vá ser uma boa merda e extremamente cansativa.

Terminando esse desabafo sútil com a impressão de que já falei sobre isso, ou que já ouvi alguém falar e reescrevi algumas partes. Mas tudo bem, verei o acaso durante a semana, Subsolo no fone até Realengo.

e não é que incorporou este carajo. tranquilo, serve de alerta. ohhh suíti chaud of maine

15.08.17, 00h.

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