De passagem

Parece meio melancólica, mas não foi a intenção. Nem sempre o Google é tão exato.

Eu apaguei, mas escrevi essas confusões com a cabeça cheia e um brilho sincero nas pontas quebradas dos dentes de leite.

Há momentos em que surge um estado de graça muito puro e legítimo.

Chega depois de uma conversa rápida, uma troca tímida de olhares que se conhecem, sorrisos leves, numa ilusão genuína.

A conversa se dá num momento em que há só dois, assim não há ninguém que possa interferir ou testemunhar algumas falas indiretas que só são ditas entre duas pessoas.

E é como você conduz uma conversa tímida que não morre nunca, porque sempre há algum detalhe que te faz olhar no olho e soltar um sorriso, por mais bobo que seja. Você acompanha distraído o olhar, inventa alguns motivos para admirar. Enquanto a outra parece tão bem na janela, com os olhos brilhando enquanto a luz acompanha o seu rosto.

Um olhar direcionado, a outra cerra os olhos, você olha para o outro lado, sem justificar, ainda calado.

A conversa graciosa termina no próximo ponto, ainda tentando entender todas as suas observações, porque até agora estou rindo da última frase. Teu rosto rosado, porque você também acabou rindo bastante.

Tempo curto, e em algum momento acabo saindo. Questionando se é só eu ou se você também sentiu algo que se aproximou disso.

Você consegue discursar com poucas palavras, sente isso enquanto observa através um vidro, desatento. Se você estivesse aqui ainda estaríamos rindo do cara embriagado naquela porta aberta.

Por vezes acredito que esse sentimento só existe porque é inalcançável. Então você acaba guardando aquelas conversas enquanto pode ouvir o próprio peito bater, esperando o próximo dia.


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