Graça, plumérias

Ela caminha com passos leves
De jeito manso
Falar suáve
Um olhar doce numa sala mal iluminada
Ouvindo sobretudo seu cabelo
E o modo como você o tira do rosto quando sorri
Então ela repousa os braços sobre ele
Que já pode ver seu sorriso na sútil explosão das estrelas
Iluminando todo o lugar.
Sabe-se bem que o seu dia melhora
Quando vê um ao outro
Escolhendo delicadamente o que dizer
Para fazer-se apaixonar cada vez mais
Como quem está amando
Muito
E a cada momento
Pela primeira vez
O seu toque, sentido de longe
Arrepia à luz do dia
De maneira que mal se respira
E nem se pode respirar
À tarde há um tratar de mãos
Sentados observando um ao outro
Numa linda admiração
Espelho extenso
Profundo
Lento
Amoroso
Ah…Pode-se sentir a forma como o seu rir
Expande tudo que há de bom nela
E vice-versa
Como todo bom poeta
E toda boa orquestra
Ensaia os passos
E faz da paixão passarela
Externando tudo
Tudo mesmo
Que se sente
Com puro apreço
Delicadeza sincera
Oh, veja, como é bela
A genuína emoção.
É um sentimento chamado pluméria
Que traz vigor e harmonia
Que traz cor à matéria
E que alumbra
Todos os dias.
