Labirinto [não este]

Eu ia fazendo as coisas pela emoção de ser, sem compromisso. Deixava o sentimento chegar e fluía. Mas agora sinto como se tivesse alguma obrigação inócua. Algo que empurra. E, pra ser sincero, estou entediado.

É frustrante quando você não encontra a sua própria inspiração, e então você começa a prestar mais atenção no que os outros sentem porque você já não tem nada.

Quando tudo que você faz é sobre perceber que talvez seja preciso prestar mais atenção no que os outros falam, interpretar com mais esforço, aprender novas palavras, estudar novos termos.

Por vezes acredito que é só por vaidade, mas, independentemente do futuro profissional, tenho a impressão de que serei cobrado sobre essas coisas que por ora insisto em ignorar.

É quando você começa a observar que ao seu redor as palavras são tão inteligentes. E todo mundo participa, quando você prefere ficar por fora sem nenhum motivo. Talvez descuido, mas nada que justifica.

Passa uma viagem inteira pensando como poderia ter dito certas coisas, ou se devesse só ter dito. Se retratava depois se fosse preciso, mas dizer já seria o bastante.

Na ida existe uma paz a ser mantida. A volta é lotada por confusões. O autoconhecimento não foi sequer explorado. Fica um tempo sentado, olhando para um papel, um bloco amarelo, um teclado sujo. E não se passa nada.

Isso mudaria alguma coisa ? Estamos lado a lado ou existe algo mais complexo ?

Eu tenho lido algumas coisas, e elas parecem tão claras, mais limpas. Em outro território as palavras se confundem com cifras e códigos. Há alguma complexidade que, em busca de esclarecer, confunde.

A incapacidade é uma fase, ou a busca pela glória e os códigos andam juntos ? É meio infiel o modo como você se confunde em ser você, entende ?

Você acaba compartilhando isso na esperança de que alguém entenda, mas não há nenhum teor que interesse quem vem em busca de ciências políticas. Porque o resto é muito frágil. E isso obviamente não é sobre política ou economia.

E é assim que fazem os jornais. Aqueles outros que escrevem só pra te deixar mais leve e que no fim não levam nenhum crédito ou links referenciais.

Pode parecer uma confusão de frases aleatórias e repetições, como sempre, por descuido intencional. E provavelmente é. No lado mais pessimista de si mesmo, se conhecer é complicado o bastante para não ir dormir com nenhum peso na consciência. Olha pro teto, reflete sobre o dia, esquece coisas, questiona outras, tenta arrumar algumas frases, evitar repetições. E no outro dia você acaba vazio.

Na viagem, a paz retorna pela rotina que, por pior que seja, acaba tornando as coisas menos paradas, bagunçando algumas caixas arrumadas, te fazendo correr numa pista movimentada. Senta num banco respirando rápido enquanto agradece pelo ônibus estar vazio.

Você costumava rir bastante, porque todo mundo achava realmente legal a maneira como você falava sobre si mesma. A outra era pouco interessante; era mais sobre ser ambiciosa, no sentido bom, do que ser legal. E mesmo assim parávamos pra ouvir.

Enquanto o Ele se calava. Não sabia ainda o que queria, por acreditar não querer nada. Acabava por desconsiderar alguns talentos, se aproximar daquilo que é forçado.

Chegando no impasse, você vai embora. Parece não ligar, não consegue entender, e, por fim, ignora.

Foi quando começou a observar os passos dos outros, se colocar em outros lugares, sair de alguns.

Confiar o futuro ao futuro não parece o melhor caminho, mas aparentemente é o último.

Se reconhecer em fragmentos que se perdem é menos sórdido do que se meter em tramas confusas numa notável temporada de caça.