Like Dorian Gray

27–08–18, so cold from fear

Acho que o documentário do Saramago e da Pilar é a coisa mais legal pra ver e ficar alegre. Greys Anatomy também, eu achava ruim. É legal. Dá pra ver como a vida vai variando em alguns pontos bons e ruins. Ela nunca para depois, a menos que alguém morra, aí acaba parando. 
Eu não sei por que fico escrevendo. Devia malhar, estudar. Mas acho que preciso. Sem Rilke, essas coisas e tal. Esse episódio que vi há algumas horas disse que todo mundo precisa dizer alguma coisa, mesmo que ninguém queira ouvir. Uma vez eu postei um texto idiota que tinha o título de Notas do Subsolo, era relacionando com a visão do protagonista daquele livro que ficou faltando algumas páginas pra eu terminar. Me senti um idiota arrogante, mas era a intenção fazer eu me sentir meio babaca. 
Tô meio cansado de ficar escrevendo essas notas nesse subsolo aqui. As vezes desisto, e aí fica um cara grande rabiscando no caderno sem entender a aula, ou fingindo ler os livros na biblioteca do colégio, esperando que o pessoal não ache que sou demente. Mas é bom quando lá fica vazio. 
Ontem meu primo me mandou uma mensagem engraçada, eu precisava rir daquilo com alguém, mas antes disso eu ri sozinho e foi engraçado aprender a rir sozinho. Fiquei rindo e fui tomar banho, não repassei a mensagem depois, mas mesmo assim foi engraçado. Acho que to começando a entender isso de ficar sozinho sem sentir pena de si mesmo. Ontem uma amiga disse que ficava com pena de mim pelas coisas que eu posto as vezes. Eu ri, é engraçado, mas não é esse o sentimento que eu queria. Talvez. Quando a gente fica meio no canto a gente espera que alguém sinta pena e te puxe pro lado iluminado da sala. Mas também deve ser necessário passar esse tempo no canto e esperar a luz atingir essa minha parte coberta. Vou ficar esperando a luz chegar, deve chegar um dia. 
No final não é querer pena, nem um pedido subentendido de ajuda ou qualquer anúncio depressivo, é mais despejar as coisas que estão te afetando. E aí vai despejando, despejando…Até você sentir que não há mais nada a dizer e seguir em frente. Eu sei que sempre há algo a mais pra dizer, essa acaba sendo uma parte ruim de tentar ser otimista e querer que as coisas deem certo independente de tudo. Eu escrevi e senti tanta coisa nas últimas semanas, nada do que escrevi era pra mim, é até engraçado porque uma vez eu disse que no fundo a gente sempre escreve pra nós mesmos. Mas não é. Agora isso que eu to escrevendo eu tenho a consciência de que é pra mim, e não preciso me preocupar que ninguém leia, nem fazer correções. Tem uma aba tocando Tears and Rain do James Blunt e não poderia ficar mais másculo e viril que isso. 
De tudo que escrevi e senti, nada fez eu me sensibilizar comigo. Acho que eu não me dei pra mim mesmo. É bom eu não ter dado tudo pros outros, então ficou um pouco pra mim. E escrever agora, ouvindo essa música, dá um sentimento meio de felicidade e nostalgia feliz. Porque até agora eu estive analisando as coisas com um olhar meio melancólico, mas não quero mais fazer notas e analises se for pra ser assim. Porque amanhã quando eu chegar no colégio vou passar pelo refeitório e seguir pelo teatro até a minha sala ouvindo I’ve Seen All Good People e eu não poderia estar mais feliz por saber disso. 
Faz frio aqui no terraço, ontem fiquei sozinho em casa e queimei batatas na fritadeira elétrica, conversei com um amigo que não vejo faz um bom tempo, ri de uma coisa idiota que meu primo me mandou, conversei com uma amiga que fez 18 anos, outra amiga me contou que conheceu uma menina no 883. Lembrei de muitas coisas, senti falta de muitas coisas. Amanhã devo sentir também, mas acho que faz parte do processo. 
Se eu pudesse reconhecer a felicidade, reconheceria ela aqui, agora, sorrindo para mim. Espero que ela também apareça amanhã.

I’ve heard what they say, but I’m not here for trouble.
Far, far away; find comfort in pain.
All pleasure’s the same: it just keeps me from trouble.
It’s more than just words: it’s just tears and rain.

https://www.youtube.com/watch?v=v9svxE49Ngs