Luz Oxídrica
RJ, 07–09–18
E vem o drama dos que não nos tocam
Mas fazem contato pele a pele, mesmo assim
Trazem palavras e pontos, já estamos exaustos no fim
E vem o drama dos que pensam que nos tocam
Destruir essa ideia é mesmo ruim
No fundo dizemos: não fiz promessas
Por que me cobra mesmo assim?
É tão difícil pôr um fim nas cobranças
Penso que talvez por isso tenho deixado
Algumas coisas sem ponto final pelo caminho
E não respondido com devoção alguns
Não, não isso de quando esquecemos
Mas o simples não querer, evitando seus espinhos
Ah, por que é mau dizer isso?
Eles não têm importância
Talvez tenham para o mundo, mas não para mim
Sem ironias (também trago recortes amargos em sorrisos infantis)
E isso me faz tão, tão egoísta, dramático e falso
Primeiro porque ninguém me cobra tanto assim
Só sei que se foram quando me avisam a partida
Acho que é porque sou pura estabilidade
E quando não me tocam, sou o bastante para mim
É claro que há para quem eu imploro muito, me gasto
E nunca estou exausto o bastante no fim
Mas deixo claro quem são no mais explícito singular
Para que não haja dramas ou pontos
Porque é mau ser assim
Alguns têm medo
Nunca entendi quando dizem terem medo de mim
Mal vejo os rostos, não sei os nomes
Acho que é porque sou um banal relevante
Se me esquecem no meio
Quem sabe se não lembrarão o meu nome no fim?
Eu digo: não tenham, não tenham medo…
Multidões de duas ou três almas pretensiosamente medrosas que vejo
Esse medo vaidoso que carregam…
Não faz diferença para mim
É que sou medroso e me entrego
E confesso subentendido os medos explícitos que carrego
Entrego os meus medos para quem os causa em mim
Às vezes é um lavar de alma que se exasperou
Alguns me disseram coisas feias
Mas estes são poucos, mas tão poucos para mim
São tão carentes, que mesmo sem precisarem
Sempre se lembram do meu nome no fim
Escandalizam-me e depois me chamam
Apoiam suas cabeças em meus ombros
Apertam minhas mãos, cantam comigo músicas ruins
Ofendo-me por segundos e nas horas seguintes…
Quem são? Não têm importância
Eu não os chamo, eles que chamam por mim.
E para quem me disse que não choro
Que não me imaginam chorando assim
Na verdade eu choro
Choro muito pouco
Mas sofro patético, humano
Por tudo que vale a pena
então choro, choro sim.
(sem luzes e telas)
