Tava naquela…

Há dias em que o barulho incomoda muito. Sentando, olhando para os lados, reparando o nada. Os colegas são chatos demais às vezes, e tudo isso de escutar as pessoas falando, falando, falando…Deve ser natural que uma risada, ainda que ligeiramente forçada, como tem sido, surja durante essa constante falação, mas o alegre passeio acaba em segundos. E então tá tudo bem, não tem nada ruim, mas nada também muito empolgante.
O dia lá tem começo agradável. Passar horas sobre uma cadeira, ouvir as mesmas frases todos os dias — que sigo repetindo, que meus colegas seguem, cada vez mais burra e desnecessariamente, repetindo — torna todo esse processo ainda mais cansativo. Mas tem gente que se diverte, tenho esses momentos também, ainda que cada vez mais raros. Nas últimas semanas tenho me animado mais com os eventuais relatos dos professores do que com os meus companheiros de sala, que são poucos, mas são divertidíssimos. Ao menos costumavam ser. (Dos que não são os companheiros: chatos, não é por mal. Digo chatos e por vezes irritantes, mas sem rancor, visto que sou muito pacífico).
Sentar às duas da tarde sob as árvores, esperando o próximo professor chegar, e encontrar ,sem dificuldade, outro alguém que aparenta estar na mesma situação de descontentamento; tem muita gente entediada nesse horário. A opção mais constrangedora mesmo é entrar no banheiro, lavar o rosto e ficar lá por tempo cronometrado pela lavagem, mas ainda assim é melhor. Nesses momentos foi bom ter saído um pouco, ter feito umas anotações sobre qualquer bobagem, ainda que rapidamente.
A ideia de dar uma volta pelo bosque é boa, mas à tarde, minutos antes do intervalo, ou minutos depois do sinal de entrada, você inevitavelmente acaba esbarrando em alguém. Uma vez encontrei um colega, de outra turma, sentado no chão, sob a sombra das escadas do Teatro. Eu ia passando. Naquele momento queria estar sentado lá, mas já estava ocupado.
No intervalo, gosto dos biscoitos, o suco de uva é ruim, os outros também, mas são melhores. As ofertas da cantina são ruins, mas tem gente que compra. Às vezes paro pra pensar nas relações, das que não são de amizade, mas esse processo cansa demais, talvez mais pra frente haja tempo e vontade. Não vejo agora.
A motivação acaba indo para o estudo mesmo, como se pensa ser. Nos últimos dias tenho apreciado os momentos de diversão que há em aprender algo novo, em ouvir outras pessoas, escolhendo cuidadosamente os deslocamentos. Tô entediado, mas já estive aqui antes.
Depois que chego em casa fica tudo bem; ver a beleza de um sorriso puro enquanto abro a porta e tiro os sapatos. Meus amigos, minha família, o interesse e o sono têm me feito muito bem nesses dias de paralisia e tédio.
https://www.youtube.com/watch?v=U1LmZKMRqYQ.
08.08.2017
