A semelhança entre o México e o Brasil, do ponto de vista zapatista.

O México tem três grandes partidos políticos, o PRI é o mais antigo, teve o poder hegemônico no país entre 1929 até 2000 e se define como social-democrata e é um típico partido de centro, muito parecido ao PMDB brasileiro. Temos também o direitista PAN, que se define como democrata cristão, conservador e defensor do livre-mercado, e que seria, em termos brasileiros algo como o PSDB e o DEM. A terceira grande força é o PRD, partido formado mais recentemente, em 1989, a partir da fusão de vários pequenos partidos de esquerda como o Partido Comunista Mexicano (PCM), o Partido Socialista Unificado de México (PSUM), o Partido Mexicano Socialista (PMS) e o Partido Mexicano dos Trabalhadores (PMT). O PRD pode bem representar, no contexto brasileiro, o PT e o PCdoB e seus militantes são chamados de perredistas.

A leitura desse trecho de um comunicado Zapatista de 2007 evidencia a semelhança entre a política institucional e partidária entre o méxico do PRD-PRI-PAN e o Brasil do PT-PMDB-PSDB.

“A esquerda institucional nada mais é que uma direita envergonhada, uma direita com ares de legitimidade.”

Extrato do Comunicado do CCRI-CG do EZLN de 22 de setembro de 2007:

Neste momento, os governos estadual de Chiapas e o federal (PRD-PRI e do PAN, respectivamente) estão levando adiante uma campanha contra as comunidades zapatistas. Despejos “oficiais”, ataques de paramilitares, invasões patrocinadas por funcionários públicos, perseguições e ameaças, voltam a ser parte do entorno das comunidades indígenas, as zapatistas, que têm se empenhado a construir seu destino próprio e melhorar suas condições de vida, sempre sem perder sua identidade indígena.

Como nas piores épocas do PRI, a de Absalón Castellanos [governador de Chiapas pelo PRI entre 1982 a 1988] e do “croquete” Albores Guillén [governador de Chiapas pelo PRI entre 1998 a 2000], o Governo perredista de Chiapas ataca os mais pobres e necessitados, e corteja e beneficia os poderosos. Como qualquer governo de direita, o de Juan Sabines [governador de Chiapas pelo PRD entre 2006 a 2012] em Chiapas segue adiante com a repressão e o despejo, mas agora com a bandeira da esquerda e o duplo aval das duas “presidências” que padece nosso país: a de Felipe Calderón (do PAN) [presidente do México de 2006 a 2012], e a de Andrés Manuel López Obrador (do PRD, e, acima de tudo, de si mesmo) [candidato derrotado nas eleições para a presidência do México em 2006, mas cuja diferença tão estreita, de 35.89 % a 35.33% levou-o não admitir derrota, o que criou uma crise de legitimidade política ao ser ovacionado por seus seguidores, de forma simbólica, como “presidente legítimo”.]

Diferente das outras ocasiões, essas agressões contaram com o silêncio de vozes que antes se levantaram para protestar e exigir justiça, e que agora se calam, talvez para não recordar que aplaudiram o apoio de AMLO [Andrés Manuel López Obrador] a Juan Sabines e seu recente chamado a apoiar os candidatos do PRD para as presidências municipais e o congresso local.

Cumpre-se assim o que, há 3 anos, estamos dizendo: lá em cima não há princípios nem convicções; Há, no entanto, ambições e conveniências. E, cumpre-se o que dissemos: a esquerda institucional nada mais é que uma direita envergonhada, uma direita com ares de legitimidade.

Um mesmo crime tem um julgamento diferenciado: Se as repressões são feitas pelo PAN, então é preciso mobilizar e deter o fascismo; Se são feitas pelo PRD, então é preciso perder a memória, silenciar, fazer malabarismos ridículos, ou aplaudir. Em Chiapas há um verdadeiro salto para trás na política do governo, mas não leva o escudo da direita confessa, e sim o da esquerda “moderna” e “legítima”.

Nós fazemos o que sabemos fazer: resistir. Não importa se estamos sozinhos. Não é a primeira vez e, antes de nos tornarmos moda de bar, já o estivemos.

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