Inexorável

Me encontro, como de costume, em uma madrugada amarga. Os pássaros não cantam, os vizinhos pouco roncam, os carros não andam; rua vazia, aspira tristeza. Me sinto só. O vazio, que é cotidianamente defasado pelo barulho, pelo movimento das coisas e bocas, se faz completo numa madrugada silenciosa e serena.

E não me sinto bem. A mistura de perda, de abandono e de uma alegria momentânea, atravessa cada dedo, subindo sobre meus braços e, por fim, retirando-me a vida. Vida essa que já não é mais minha, pois a doei no leilão das funções seculares que não contactam o pessoal. E acaba sendo essa coisa, que em mim se torna tão triste e alegre, que me confunde quando percebo que ela não é mais minha, e que, talvez, seja tarde demais.

A verdade mais rasa acaba por ser momentânea, quando nem eu sei descrever a sensibilidade com que escrevo essas palavras. Irei me deitar, refletir, dormir. Esperarei o acordar, o sol nascer e a sagacidade da alegria que me puxa e me deixa.

E não, não me sinto bem.

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